Convenção Batista Fluminense
Home Artigos As Boas Novas do Evangelho

As Boas Novas do Evangelho

190

Podemos afirmar que Deus toca no coração do verdadeiro ministério cristão: não somos chamados a levar boas opiniões, bons conselhos ou boas técnicas, mas as boas novas do Evangelho.

Muitas vezes, os cristãos — inclusive líderes e conselheiros — se tornam “anunciadores de si mesmos”. Em vez de apresentarem Cristo, oferecem suas próprias ideias, experiências pessoais ou fórmulas práticas de mudança. O problema disso é que, embora essas coisas possam até produzir algum alívio momentâneo, elas não têm poder para transformar o coração. Apenas o Evangelho é suficientemente profundo, poderoso e abrangente para lidar com a raiz do pecado humano.

Toda pessoa vive orientada por algum tipo de “boa notícia”. Todos acordam diariamente acreditando em alguma promessa de salvação: sucesso, dinheiro, controle, reconhecimento, conforto ou relacionamentos. Essas “boas novas alternativas” moldam decisões, reações e expectativas. No entanto, elas são mentirosas, porque prometem vida, mas não conseguem entregá-la. Por isso, quando nos aproximamos de alguém em sofrimento, em pecado ou em confusão, não basta tentar ajustar comportamentos; é preciso confrontar e substituir essas falsas esperanças pela verdadeira esperança que só existe em Cristo.

O Evangelho não é apenas a porta de entrada da vida cristã, mas o caminho inteiro. Muitos pensam que o Evangelho serve apenas para a conversão, e depois disso a pessoa cresce por meio de esforço pessoal e disciplina moral. Essa visão é profundamente equivocada. O cristão não deixa de precisar do Evangelho depois que crê; pelo contrário, ele passa a depender ainda mais dele todos os dias. A santificação acontece quando, repetidamente, somos trazidos de volta às verdades centrais sobre quem Deus é, quem nós somos, e o que Cristo fez por nós.

O ministério pessoal, então, não consiste em “consertar pessoas”, mas em apontá-las, vez após vez, para Cristo. Isso muda completamente a maneira como aconselhamos, ensinamos e caminhamos ao lado dos outros. Em vez de assumirmos a posição de salvadores ou especialistas em soluções, nos colocamos como servos que também precisam desesperadamente da mesma graça que anunciamos. O foco deixa de ser “faça isso ou aquilo” e passa a ser “olhe para Cristo, confie em Cristo, viva a partir de Cristo”.

O Evangelho não apenas perdoa, mas redefine a identidade. As pessoas não mudam de forma duradoura porque foram pressionadas ou envergonhadas, mas porque passam a se ver à luz da graça: pecadores resgatados, amados, aceitos e transformados por Deus. Essa nova identidade produz novos desejos, e novos desejos produzem uma nova maneira de viver.

Assim, quando entendemos que a nossa notícia deve ser as boas novas do Evangelho, percebemos que todo encontro, toda conversa e toda ajuda espiritual é uma oportunidade de reconectar o coração das pessoas ao maior evento já acontecido: Deus, em Cristo, veio salvar pecadores e está, pela sua graça, transformando-os de dentro para fora. Esse é o centro do verdadeiro ministério cristão — e fora disso, só oferecemos substitutos fracos e temporários para a única esperança que realmente pode mudar o ser humano.

Por Ildo Loris

Deixe uma resposta