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Liderando em tempos difíceis

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Vivemos em um mundo performático. A credibilidade de alguém tem sido avaliada muito mais pelo que ela consegue “vender” em 90 segundos de vídeo, do que por uma análise mais próxima de sua vida, conduta, caráter ou experiência.

Vivemos em um mundo de “influencers”, com a nova ge­ ração buscando por pessoas que a inspirem e sejam sua referência.

Percebe como a combinação dessas duas situações pode ser devastadora? Adolescentes e jovens em fase de formação escolhendo sua fonte de inspiração baseados em vídeos curtos e postagens filtradas.

Some isso a agendas apertadas, rotinas corridas, altas expectativas sobre o futuro, muitas angústias e medos sobre o futuro, necessidade de pertencimento… a mistura pode ser bastante complexa e gerar muitos desafios para adolescen­tes, jovens, famílias e líderes.

As mudanças trazidas por diversos fatores sociais como novas tecnologias, novas ideologias, polarização política, fatores de desigualdade social, novas redes sociais, múlti­ plas gerações coexistindo, entre outros, empurram a igreja para um dilema de contextualização em que há o desafio de continuar compartilhando a mensagem mais importante do mundo, que é a nossa missão, de uma maneira que se comunique com todas as pessoas que possamos alcançar, de diversas gerações.

O que esse desafio necessariamente significa? As novas gerações e as antigas que estão pelas redes sociais vivem suas rotinas rolando seu feed sendo engajadas por vídeos de até 3 minutos (o que já tem sido considerado muito tem­ po). Como prender a atenção das pessoas em pregações de 40 minutos? Começamos então a pensar que precisamos repensar tudo para proporcionar a experiência que prenda as pessoas, de maneira que a mensagem fique mais atrativa.

Eu considero esse um dos maiores desafios de liderar as novas gerações nos tempos de hoje. Parece que estamos reféns do tempo e atenção das pessoas, do engajamento, do algoritmo, da experiência e, quando tudo pode ser relativizado, a liquidez da qual tantas vezes falamos em reflexões sobre a sociedade e as relações, deixa de ser uma ameaça futura para se tornar uma dura realidade cotidiana.

Em tempos como este, precisamos nos voltar para aquilo que é essência, porque a forma sempre muda, mas a essên cia permanece. Se não estivermos firmes essencialmente na Palavra e na busca constante ao Senhor em devoção e consagração, não teremos as ferramentas adequadas para lidar com essa problemática.

A verdade é que temos buscado muitas ferramentas, cur­ sos, palestras, fórmulas e receitas de bolo, tentando replicar o que aparentemente dá certo na grama do vizinho para garantir ministérios bem-sucedidos.

Buscar essas ferramentas não é problema nenhum. No entanto, percebo que muitas vezes temos nos perdemos da essência nessa busca por um padrão de sucesso ministerial que ninguém mais sabe quem estabeleceu. Quando olhamos para o ministério de Jesus, percebemos a complexidade da jornada de escolher caminhar com os discípulos, 12 pessoas tão distintas em sua realidade social, financeira, intelectual, física, religiosa, política, além das personalidades tão dife­ rentes.

Nos foram relatados três anos de uma desafiadora cami­ nhada de discipulado, em que as formas foram reestruturadas, novas propostas de enxergar algumas coisas foram estabe­ lecidas por Jesus, mas a essência nunca mudou, e foi com essa base que os discípulos, apesar de suas personalidades, foram moldados e transformados em apóstolos, pastores na igreja primitiva, evangelistas apresentando a mensagem que ganhou o mundo, atravessou os oceanos e séculos e chegou até nós.

Este artigo não vislumbra apresentar nenhuma fórmula mágica para liderar em tempos difíceis, mas sim apresentar um convite sincero de retorno. Quero te convidar a olhar para sua liderança e refletir sobre a essência que talvez esteja perdida. Quais são seus sonhos e projetos para o ministério que você exerce hoje? Qual é o padrão de sucesso que você estabeleceu? Em que estão baseados os seus indicadores de um ministério que dá certo? O que de fato está dando certo?

E se paramos um pouco de olhar para as telas e para a grama do vizinho? Olhando para o ministério de Jesus, o que aprendemos sobre indicadores de sucesso? Sobre método, ferramentas e planejamento? O que aprendemos sobre rela­ cionamentos e discipulado de verdade? 0 que aprendemos sobre ensino robusto da Palavra?

Existem muitas formas de desenvolver um ministério saudável, mas apenas uma essência será o suficiente para embasar a nossa liderança em tempos tão desafiadores. Que todos os dias, no ordinário da sua rotina, você possa viver com Jesus essa essência ao ponto de transbordá-la na condução do seu ministério! Deus te abençoe!

Por Jéssica Martins Benevenuto – Membra da Igreja Batista em Jardim Clarice – RJ

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