
“Mas tu, Senhor, és um Deus compassivo e benigno, paciente e grande em misericórdia e verdade” (Sl 86.15).
Na sua oração, o rei Davi fez com muita convicção algumas afirmações de fé reconhecendo cinco atributos morais de Deus: compaixão, benignidade, paciência, misericórdia e verdade. O rei tinha uma fé robusta no Deus que intervém na História. No meio do sofrimento e da perseguição, Davi faz essas afirmações tendo como base a Revelação do próprio Deus. Davi tinha intimidade com Deus e é conhecido como “homem segundo o coração de Deus” (I Sm 13.14). O contexto aqui é a rejeição de Saul como rei e a ascensão de Davi segundo a vontade de Deus. Vejamos esses cinco atributos morais de Deus como afirmações de fé de Davi.
Primeiro, ele reconhece Deus como compassivo. A compaixão de Deus por nós é patente nas Escrituras. O Deus Trino é compassivo. Depois de ser confrontado pelo profeta Natã no seu pecado, o rei Davi inicia a sua confissão apelando para a compaixão de Deus, ao dizer: “Ó Deus, compadece-te de mim, segundo teu amor…” (Salmos 51.1). O amor de Deus é a base da Sua compaixão. Num mundo de ódio e sem compaixão, devemos olhar para a compaixão do nosso Deus. Como Seus filhos, devemos sempre agir compassivamente. Em todo o Seu ministério, o Senhor Jesus agiu com compaixão.
Segundo, Deus é benigno. Ele expressa a Sua bondade de geração em geração. No seu cântico, Davi afirma: “O Senhor é justo em todos os seus caminhos e benigno ou bondoso em todas as suas obras” (145.17). O profeta Naum faz uma confissão de fé ao declarar que “o Senhor é bom, uma fortaleza no dia da angústia e conhece os que nele confiam” (1.7). O Salmo 118 é um louvor pela eterna benignidade ou bondade de Deus. A eterna benignidade de Deus nos ensina que devemos ser uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-nos uns aos outros como Deus nos perdoou em Cristo Jesus (Efésios 4.32).
Terceiro, Deus é paciente. A paciência de Deus é um traço muito visível de Sua natureza. Temos um Pai paciente que nos sustenta com a Sua graça. A paciência de Deus não é uma transigência com os nossos erros, mas uma oportunidade para mudarmos de vida, buscarmos viver no centro de Sua vontade. O nosso Deus é o Deus de paciência e consolação (Romanos 15.5). Tiago nos recomenda a termos a paciência de Jó (Tiago 5.11). A paciência de Deus conosco deve nos levar à paciência nas tribulações e em nossos relacionamentos. A nossa caminhada com Deus, muitas vezes, é marcada pela dor e pelo sofrimento. Tiago nos ordena a termos paciência até à vinda do Senhor (Tiago 5.7). A paciência de Deus é expressão do Seu amor. Como afirma MIllard Erikson “a paciência de Deus não se limitou a seu relacionamento com Israel. Pedro chega a afirmar que o dilúvio foi retardado o quanto possível para dar oportunidade de salvação para os que, por fim, foram destruídos (I Pedro 3.20). Ao falar do dia vindouro de grande destruição, Pedro também afirma que a segunda vinda custa chegar por causa da clemência de Deus. Ele não deseja ‘que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (II Pe 3.9).
Quarto, Deus é misericordioso. Aqui, Davi declara que Deus é grande em misericórdia. Jeremias nos ensina que “as misericórdias do Senhor são a causa de não servos consumidos e elas não têm fim e são novas a cada manhã” (Lamentações 3.22). Davi reconhece a grande misericórdia de Deus quando foi confrontado em seu pecado de adultério (Salmos 51.1). Na Sua misericórdia, Deus inclina o Seu coração para nos alcançar em nossa miséria. No Novo Testamento, Deus revela a Sua misericórdia na Pessoa e Obra de Cristo Jesus. Paulo, no seu belíssimo testemunho de gratidão no meio das tribulações, declara: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também sejamos capazes de consolar os que passam por alguma tribulação, por meio da consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus” (II Co 1.3-4).
Quinto, Deus é verdade. Os falsos deuses se levantam, mas podemos confiar no Deus verdadeiro. O nosso Pai ama a verdade porque ela é a expressão do Seu ser. O Senhor trata conosco em verdade. Esta verdade pode ser traduzida por coerência no que Ele é, ensina e faz. O Seu testemunho é sempre verdadeiro. Num mundo que está no maligno (I João 5.19), o pai da mentira, devemos viver na qualidade de filhos do Deus verdadeiro, que mostra sempre a verdade de Sua revelação. Deus, o Filho, afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6). Paulo nos ensina acerca do Deus que não pode mentir (Tito 1.2). A mentira é contra a própria natureza de Deus.
Todos os dias, como Davi, devemos reconhecer esses atributos morais de Deus. Celebrar a grandeza de Deus em Se fazer conhecido, em Se revelar na Criação, na consciência do homem, nas Escrituras e em Jesus Cristo. Os atributos naturais e morais de Deus, revelados nas Escrituras, devem ser matéria de exame diário em nossas devocionais, adorando a Deus em Espírito e em verdade, como Jesus ensinou (João 4.24). Em nossas orações e em nossas meditações das Escrituras devemos enfatizar o Ser de Deus, a Sua Trindade.
Os atributos de Deus certamente provocarão em nossos corações quebrantados e contritos ou arrependidos (Salmos 51.17). Que nossas afirmações de fé, à semelhança de Davi, sejam manifestas em atitudes e atos que certamente glorificarão a Deus.

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob
Colunista deste Portal










