
Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. 1 (Coríntios 1.9)
Há uma diferença entre conhecer alguém e viver em comunhão com essa pessoa. Podemos conhecer muito a respeito de Cristo e, ainda assim, permitir que a vida cristã se transforme apenas em conhecimento, atividades e obrigações. Paulo nos lembra que o chamado de Deus vai muito além disso: fomos chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo.
Essa verdade ganha ainda mais força quando observamos a situação da igreja de Corinto. Havia divisões entre os irmãos. Uns diziam: Eu sou de Paulo; outros, eu sou de Apolo; outros se identificavam com Cefas. Aquela comunidade, que deveria encontrar sua identidade em Cristo, estava encontrando sua identidade em homens.
O problema ultrapassa uma simples questão de gosto. Quando Cristo deixa de ocupar o centro, outras coisas começam a ocupar seu lugar. Líderes, opiniões, dons, ministérios e até mesmo coisas boas podem se transformar em motivos de orgulho e divisão. Por isso, Paulo leva a igreja de volta ao essencial: Cristo é aquele a quem pertencemos.
Comunhão com Cristo significa pertencer a Ele e depender dEle. Jesus disse: permanecei em mim, e eu permanecerei em vós João 15.4. O ramo não possui vida independente da videira. Da mesma maneira, não temos em nós mesmos os recursos necessários para viver de modo agradável a Deus. Dependemos de Cristo para enfrentar o pecado, atravessar as provações, amar os irmãos e perseverar quando nossas forças diminuem.
Aqui está uma das nossas maiores dificuldades. Queremos os frutos de uma vida com Cristo, mas nem sempre queremos permanecer em Cristo. Buscamos paz, direção, sabedoria e força, mas podemos nos esquecer daquele de quem todas essas coisas procedem.
É possível estar muito envolvido com as atividades da igreja e, ainda assim, ter pouca comunhão com o Senhor. Podemos ensinar, cantar, pregar, liderar e servir, mas nenhuma dessas coisas pode substituir nossa vida com Cristo. O serviço cristão deve nascer da comunhão com Cristo, e não ocupar o seu lugar.
E Paulo acrescenta algo precioso: Fiel é Deus. Nossa comunhão inteira se sustenta na fidelidade constante d”aquEle que nos chamou, jamais na nossa capacidade. Somos inconstantes. Nossos sentimentos mudam, nossa disposição oscila e nossa fé muitas vezes enfraquece. Deus, porém,permanece fiel.
Aquele que nos chamou também nos sustenta. Ele nos corrige quando nos afastamos, nos confronta quando o pecado nos engana, nos restaura quando caímos e nos conduz novamente para Cristo. Nossa esperança está nEle.
Essa comunhão também transforma nossos relacionamentos. Se pertencemos ao mesmo Senhor, não precisamos disputar espaço ou reconhecimento. Podemos servir sem aplausos, cooperar sem competição e reconhecer o dom do outro sem nos sentirmos diminuídos. A verdadeira comunhão entre os irmãos nasce da comunhão com Cristo.
Por isso, vale a pena perguntar: estamos apenas trabalhando para Cristo ou estamos vivendo em Cristo? Temos falado muito sobre Ele, mas temos desfrutado de sua presença? Podemos nos acostumar tanto com as coisas de Deus que, sem perceber, perdemos o prazer no próprio Deus.
O Evangelho nos chama de volta ao centro. E o centro é Cristo. Antes de sermos chamados para fazer algo para Ele, fomos chamados para estar com Ele.
Esse é o grande privilégio do cristão: viver diariamente em comunhão com o Filho de Deus. Que o Senhor nos livre de uma vida religiosa repleta de atividades, e esvaziada de sua presença.
Por Ildo Ioris










