
…que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca. (Apocalipse 3.15-16).
Estas são algumas das palavras mais fortes que Jesus dirigiu a uma igreja. Laodiceia vivia uma condição espiritual perigosa. Era uma igreja acomodada e autoconfiante. Jesus começa dizendo: Conheço as tuas obras… (Apocalipse 3.15).
Essa afirmação chama nossa atenção. Podemos esconder muitas coisas das pessoas, mas não escondemos nada do Senhor. Ele conhece nossas obras, nossas motivações e a verdadeira condição do nosso coração.
Podemos frequentar a igreja, participar de atividades, cantar, orar e até exercer algum ministério e, ainda assim, viver apenas uma religiosidade exterior. Esse é um grande perigo.
Com o passar do tempo, a oração pode se transformar apenas em obrigação. A leitura das Escrituras pode perder espaço. O culto vira rotina. O pecado já não incomoda como deveria, e as coisas deste mundo começam a ocupar o lugar que pertence ao Senhor.
A pessoa continua parecendo cristã, mas precisa perguntar: há vida espiritual produzindo frutos? A linguagem de Jesus é muito forte: Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca (Apocalipse 3.16).
Cristo não está interessado apenas em aparência religiosa. Ele conhece aquilo que existe por trás dela. A igreja de Laodiceia tinha ainda outro problema: acreditava que não precisava de nada. Pouco depois, Jesus declara: Pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. (Apocalipse 3.17).
Aqui está o problema da autossuficiência. A igreja fazia uma avaliação de si mesma, mas Cristo faz outra completamente diferente. Isso também precisa nos levar ao autoexame, ou a um exame do alto…
Como está nossa vida diante de Deus? Temos apenas atividades religiosas ou existem frutos de uma vida regenerada? A Palavra continua confrontando nossos pecados? Estamos mortificando nossa natureza terrena? Existe desejo de obedecer ao Senhor? A repreensão de Cristo, porém, não termina sem esperança: Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. (Apocalipse 3.19).
A disciplina do Senhor tem propósito. Deus confronta, corrige e conduz Seus filhos ao arrependimento. O arrependimento verdadeiro não nasce simplesmente de uma decisão humana de melhorar a própria vida. É Deus quem, por Sua Palavra e pela ação do Espírito Santo, confronta o coração, mostra o pecado e nos conduz novamente à obediência.
Por isso, não precisamos fabricar um fervor religioso. Precisamos permanecer em Cristo. Quem nasceu de novo não obedece para conquistar a salvação. Obedece porque recebeu nova vida. E nessa caminhada precisa continuar ouvindo a Palavra, mortificando sua natureza terrena, abandonando o pecado e crescendo em santificação.
Então precisamos perguntar: como Cristo vê minha vida hoje? Não como as pessoas me veem. Não como eu gostaria de ser visto. Como Cristo me vê? Ele conhece nossas obras.
Que o Senhor use Sua Palavra para examinar nosso coração, corrigir aquilo que precisa ser corrigido e nos conduzir a uma vida de obediência, santidade e verdadeira comunhão com Cristo.
Por Marcos Peixoto










