Convenção Batista Fluminense
Home Artigos O pecado da ingratidão

O pecado da ingratidão

169

A palavra “murmuração”, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, significa uma “persistente reclamação”. Não é errado reclamar quando a reivindicação é justa e necessária. Contudo, em boa parte da Bíblia, a murmuração é tratada como algo além de uma justa reclamação, sendo uma reação de rebeldia, egoísmo, ingratidão e difamação, ou seja, como pecado (1 Co 10:10-11).

O murmurador se queixa o tempo todo e por qualquer motivo, no contexto da sociedade, da profissão, da família e da Igreja. Nada lhe satisfaz, porque não é grato e não tem compromisso com a gratidão. Para ele, ser grato é ser passivo ou omisso, e, assim, acaba enchendo seu coração de amargura e seus lábios de injustiça.

O murmurador é insaciável, pois suas expectativas são irreais. Veio João Batista, que não comia nem bebia, e disseram: “Tem demônio!”. Veio o Filho do Homem, que comia e bebia, e disseram: “Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores” (Mt 11:18-19). Essa passagem prova que a murmuração nem sempre é resultado do mal que os outros fazem, mas do mal no coração de quem murmura. Infelizmente, a murmuração, como uma persistente reclamação, é um dos pecados mais comuns. Não deveríamos dar ouvidos ao murmurador, pois, como pecado, a murmuração contamina outros com intrigas e um leviano pessimismo (Pv 21:9).

O murmurador ignora a Palavra e os propósitos de Deus. Os cristãos são ensinados a se contentarem com suas necessidades (1 Tm 6:7-8; Hb 13:5); entretanto, o murmurador, mesmo tendo suas necessidades mais fundamentais supridas, murmura quando interesses egoístas e infantis não são atendidos, acabando por subestimar as bênçãos de Deus: “Desprezaram a terra aprazível e não deram crédito à sua palavra; antes, murmuraram em suas tendas e não acudiram à voz do Senhor” (Sl 106:24-25; cf. Nm 14:1-35). Ele pode ter tudo, mas age como se nada tivesse, pois não considera os propósitos de Deus.

O murmurador é orgulhoso e um caluniador discreto. A palavra grega que traduz “murmuração” tem o sentido de murmúrio, resmungação, palavras desagradáveis ditas em voz baixa. O murmurador é aquele que, discretamente, espalha seus descontentamentos sobre determinadas pessoas, provocando dissensões. Geralmente, age assim porque pensa ser o mais correto e capaz de fazer o trabalho melhor do que os outros: “Falaram Miriã e Arão contra Moisés… E disseram: Porventura tem falado o Senhor somente por Moisés? Não tem falado também por nós? O Senhor o ouviu… E a ira do Senhor contra eles se acendeu; e retirou-se” (Nm 12:1-2, 9). O murmurador se inquieta com o crescimento dos outros; por isso, ama comparações e se queixa de tudo, muitas vezes, porque é frustrado com sua própria amargura pessoal.

Bíblia nos ensina a substituir a murmuração pela ação de graças (1 Ts 5:18), pois somente a gratidão pode vencer o descontentamento do coração. Reconhecer as virtudes mais do que os defeitos, as oportunidades mais do que as dificuldades, o que já temos mais do que aquilo que poderíamos ter, e o que os outros fazem pelo nosso bem mais do que aquilo que deixam de fazer dá à vida pessoal um maior significado e felicidade pelos efeitos da gratidão.

Que em nossos corações haja mais gratidão do que ingratidão, mais contentamento do que a perturbadora insatisfação, pois confiamos ao Senhor nossas vidas com tudo o que elas necessitam.

Pr. Ericson Martins

Deixe uma resposta