Convenção Batista Fluminense
Home Artigos Recém-chegados, mas de partida

Recém-chegados, mas de partida

5

Tu reduzes o homem ao pó e dizes: Tornai, filhos dos homens. Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite (Salmos 90.3-4).

Nesta passagem do salmo 90 somos levados a refletir como percebemos e discernimos a passagem do tempo, e como estamos indeclinavelmente sujeitos a sua ação, ao passo que para o Senhor, em face de sua natureza eterna, assistir a chegada e partida deste mundo das muitas gerações de sua criação representa o que para nós seriam poucos dias. O salmista destaca nestes versículos o contraste entre a brevidade e precariedade da existência humana neste mundo e a sempiterna presença e soberania de seu Criador.

O versículo três traz uma clara referência a Gênesis 3.19, nos lembrando da fragilidade e mortalidade humana. O Senhor, que concede o fôlego da vida e é soberano sobre todo ser vivente, também detém total autoridade para a tomar de volta, e assim deve o homem atentar o quanto sua vida é passageira e a morte um decreto divino inevitável. Por mais forte ou poderoso que o homem venha a se tornar nos poucos anos em que peregrina nesta terra, o curso de sua vida é limitado e estabelecido segundo a vontade e propósito do Senhor, e ninguém pode contrariar seu comando; ao chamar o espírito do homem para junto de si, este parte de imediato, e seu corpo volta ao pó de que foi feito (Eclesiastes 12.7).

No versículo quatro constatamos, simultaneamente, o quanto nossa existência nesta vida é insignificante diante do panorama vislumbrado por Deus, e o quanto a nossa percepção do tempo difere em relação aos acontecimentos que presenciamos e ao que o Senhor observa.

Em 2 Pedro 3.8 o apóstolo repete esse conceito de que nossa percepção de tempo não se aplica ao agir de Deus: Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia.

O tempo, para nós, em verdade é o patrimônio mais precioso em nossa vida terrena, e se constituí no grande limitador de nossas oportunidades e pretensões. Para Deus, contudo, o tempo não representa limitações, tampouco pode desgastá-lo. Desta feita, enquanto nós contamos os dias com ansiedade e angústia em razão do quanto é curta nossa vida, o Senhor, cuja eternidade não sofre impacto pelo transcorrer dos séculos, permanece inalterado.

Além de reconhecidamente limitada e instável, nossa vida também é volátil, ou seja, pode mudar ou mesmo acabar a qualquer momento, como nos lembra Tiago 4.14: Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa.

Este trecho vem nos chamar à humildade, lembrando-nos de nossa natureza transitória, e ao mesmo tempo nos ensina que nossa confiança, bem como nossa esperança, não deve ser posta em nada temporal, mas somente Naquele que é eterno e inabalável, no qual encontramos refúgio seguro de geração em geração. Se, por um lado, está decretada a destruição de nossa habitação terrena, por outro o Senhor promete a seus filhos um novo edifício, incorruptível, eterno e celestial, conforme 2 Coríntios 5.1: Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus.

Por Dori Edson Doná

Deixe uma resposta