sexta-feira, 18 de setembro de 2026
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O pastor como conselheiro

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O ofício pastoral é uma tarefa sublime. Tudo o que envolve a atividade pastoral revestir-se de nobreza, beleza e relevância. Uma das elevadas funções do pastor é aconselhar.

Ao utilizar o vocábulo presbyteros para referir-se ao pastor, o Novo Testamento traz a ideia de um ancião, uma pessoa experiente, vivida. Alguém caracterizado pela sabedoria adquirida ao longo da vida. Isso faz com que o pastor seja constantemente demandado para ajudar nas mais diversas situações vividas pelos membros de sua congregação. As ovelhas enxergam no pastor alguém apto a ouvir e orientar com sabedoria. Ao longo do meu ministério, tem sido frequente membros da Igreja chegarem no gabinete dizendo as seguintes frases: “pastor, vim aqui porque preciso muito ouvir um conselho sábio”. “Pastor, preciso abrir o coração com alguém que possa me ajudar, por isso estou aqui”. “Pastor, o que o senhor acha da seguinte situação?”

Ao longo dos anos passei a constatar que o ministério de aconselhamento exige muito mais do que imaginava quando estava sentado nos bancos do seminário. Percebi que antes de ingressar no ministério pastoral nunca pensei que houvesse tanta gente sofrendo neste mundo. Tantas famílias desajustadas e tantas vidas em frequente ansiedade, pânico, culpa e angústia. Tais vidas e famílias sofridas vão ao encontro do pastor e o pastor vai ao encontro delas, resultando em conversas de aconselhamento. Mas para exercer bem a função de conselheiro exige-se do pastor alguns requisitos que aperfeiçoarão seu ministério e edificará vidas:

Empatia e compaixão – Quando Jesus viu as multidões, compadeceu-se delas (Mateus 9.35-38). Jesus não agiu de forma fria e indiferente. O pastor não pode ser um conselheiro apático e indiferente. As pessoas aceitam com mais facilidade correções de um pastor conselheiro que sintam importa-se realmente com seu bem.

Mas é importante saber que sentir compaixão não é tornar-se refém dos sentimentos do aconselhando. Compaixão não é sentir pena e passar a concordar com todos os pontos de vista e conduta da pessoa por você acompanhada. É expressão de compaixão ajudar corrigindo falhas. Vara e cajado são instrumentos também, de correção de rumos e expressão de compaixão.

Paciência – Pessoas são cansativas. Há aconselhandos que são muito agradáveis, doces e amáveis. Por outro lado, alguns reincidem nas mesmas falhas, são ingratos, murmuradores e teimosos.

Um pastor impaciente precisa se lembrar que “é melhor ter paciência do que ser herói de guerra; o que domina o seu espírito é melhor do que o que conquista a cidade” (Pv 16.32).

Escutar com paciência ajuda a não precipitar dando conselhos vazios e inapropriados. Ter paciência possibilita ao aconselhando mais oportunidade para falar, desabafar. Há casos nos quais um atendimento pastoral não consegue ser tão útil por conta da impaciência. Em seu excelente livro Aconselhamento Cristão, edição Século 21, Gary R. Collins diz: “pessoas ocupadas e objetivas geralmente querem acelerar o processo de aconselhamento para chegar logo a um resultado satisfatório. É verdade que o conselheiro não deve ficar perdendo tempo, mas também é verdade que o processo de cura não pode ser apressado”1. Paciência é importante no processo de ouvir, avaliar, sugerir, e, sobretudo, para esperar o que o processo de mudança se desenvolva e seja aperfeiçoado.

Ser paciente não significa alimentar a prolixidade e fuga de foco da pessoa que está sendo atendida. É comum o conselheiro se ver obrigado a ajudar voltando a conversa para os trilhos, regressando ao tema chave da conversa, evitando que o diálogo tome um caminho que mais confunde do que esclarece.

Conhecimento bíblico – O pastor como conselheiro tem na Palavra de Deus sua referência, sua fonte de orientações. Seus conselhos não resultam de “achismos” pessoais. O que eu “acho” na maioria das vezes não tem a menor importância.

O que realmente importa é ajudar o aconselhando a tomar uma decisão individual, consciente e madura, que reflita os princípios da Palavra de Deus aplicáveis ao caso que vive.

A bíblia é lâmpada para os pés e luz para o caminho. Não se espera do pastor um conselho que conflita com a Palavra de Deus. Um pastor bom conselheiro deve segurar a lamparina e auxiliar para que sua ovelha enxergue com mais nitidez a estrada a ser seguida.

Dependência de Deus – O pastor sabe muito bem que em tudo depende da bondade e benção do Senhor. Há problemas agudos, profundos e crônicos para os quais o pastor não tem a menor ideia de como ajudar. Precisará clamar a Deus para que Ele revele o que está oculto (Jeremias 33.3).

Um pastor sabe muito bem que do Senhor vem o querer e o realizar (Filipenses 2.13). Se Deus não agir no íntimo do coração, ninguém se convence das verdades nem consegue agir corretamente. O ministro por si só não tem conhecimento suficiente para desvendar os mistérios que envolvem uma vida e nem quais os passos que precisamente ela deve dar.

CONCLUSÃO: o aconselhamento é parte natural do ministério pastoral. Ele ocorre formal ou informalmente. Um pastor será consultado frequentemente acerca dos mais variados temas da vida diária. Com o coração cheio de compaixão, paciência, conhecimento bíblico e dependência de Deus poderá abençoarmuitas vidas.

Indicação Bibliográfica

COLLINS, Gary R. Aconselhamento cristão edição século

21. São Paulo: Vida Nova, 2004.


1 COLLINS, Gary R. Aconselhamento cristão edição século 21. São

Paulo: Vida Nova, 1ª. Impressão, 2004, p. 30.

Por João Emílio Cutis
Pastor da PIB de Irajá – RJ

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