
Vivemos em uma cultura que valoriza resultados, desempenho e reconhecimento. Essa mentalidade pode, sutilmente, influenciar também a vida da igreja. Quando Deus usa alguém para ensinar, aconselhar, evangelizar ou discipular, existe o perigo de atribuir ao instrumento a glória que pertence unicamente ao Senhor. Porém, o Evangelho nos lembra continuamente que toda transformação verdadeira é obra da graça de Deus.
O Senhor escolheu agir por meio de pessoas. Ele chama pastores, líderes e irmãos para cuidarem uns dos outros, proclamarem Sua Palavra e encorajarem os abatidos. Entretanto, nunca transfere ao homem o poder de transformar corações. Somos servos; Ele é o Salvador. Somos instrumentos; Cristo é o Redentor.
O apóstolo Paulo expressa essa verdade de maneira clara: Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. 1 Coríntios 3.6. Há beleza e responsabilidade no plantar e no regar. Devemos servir com dedicação, estudar a Palavra com zelo, orar com perseverança e amar as pessoas com sinceridade. Mas o milagre da vida espiritual pertence exclusivamente a Deus. Somente Ele convence do pecado, produz arrependimento, fortalece a fé e conforma o pecador à imagem de Cristo.
Essa compreensão produz humildade. Quando vemos frutos em nosso ministério, não há espaço para orgulho, pois sabemos que o resultado não é consequência de nossa capacidade, mas da ação soberana do Espírito Santo. Da mesma forma, quando enfrentamos dificuldades e lentidão no crescimento espiritual daqueles a quem servimos, não somos dominados pelo desânimo, pois confiamos que Deus continua operando no tempo e da maneira que Lhe agradam.
Paulo também escreveu: temos este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. ( 2 Coríntios 4.7). Deus deliberadamente escolhe instrumentos frágeis para que ninguém confunda a origem do poder. A fraqueza do servo evidencia a grandeza do Senhor e quanto mais compreendemos nossa dependência, mais claramente a glória de Cristo é revelada.
Essa verdade também transforma nossos relacionamentos dentro da igreja. Não buscamos admiradores, mas discípulos de Jesus. Não trabalhamos para construir nosso próprio nome, mas para que Cristo seja conhecido, amado e obedecido. Toda palavra de encorajamento, todo ato de serviço, toda visita, todo aconselhamento e toda pregação têm um único propósito: conduzir pessoas ao Salvador.
Ao olharmos para a história da redenção, percebemos que Deus sempre foi o protagonista. Da criação à nova criação, da cruz à ressurreição, da conversão à glorificação, é o Senhor quem realiza Sua obra. Nós participamos com alegria, mas nunca ocupamos o centro da cena. Como declarou o salmista: Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade. Salmos 115.1.
Que essa seja também a oração da nossa comunidade. Que sirvamos com fidelidade, amemos com generosidade e anunciemos o Evangelho com coragem, reconhecendo que toda boa obra nasce da graça de Deus e existe para a glória de Deus. Afinal, quando vidas são restauradas, pecadores são alcançados e a igreja é edificada, há apenas uma conclusão possível: a glória é do Senhor!
Por Ildo Ioris











