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A importância da oração na vida cristã

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“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:6,7)

A oração é o respirar da alma e o canal indispensável de comunhão na vida cristã. É por meio dessa disciplina graciosa que o remido se relaciona intimamente com o Pai celestial. Contudo, orar não significa apenas apresentar uma lista de pedidos ou tentar persuadir o Altíssimo a realizar as nossas vontades. A verdadeira oração não busca dobrar a mão de Deus para alinhar os céus aos nossos desejos, mas permite que o Espírito Santo dobre o nosso coração e o alinhe à Sua perfeita vontade. É o ato de aproximar-se do Pai com filial confiança, reconhecer Sua soberania, confessar fragilidades, render graças por Sua bondade e descansar no Seu querer.

O apóstolo Paulo redigiu estas palavras encarcerado, em meio a circunstâncias que poderiam facilmente desencadear uma ansiedade avassaladora. No entanto, ele não apresenta a oração como um mero alívio psicológico ou fuga da realidade, mas como a única postura correta diante das pressões da vida. A ordem “não estejais inquietos por coisa alguma” não sugere que o crente seja imune a sobressaltos ou farto de insensibilidade. Significa que ele não deve permitir que a ansiedade assuma o controle da sua mente e governe as suas emoções. Aquilo que tenta produzir inquietação deve ser transformado imediatamente em motivo de oração.

Para orientar a nossa aproximação de Deus, o apóstolo utiliza três expressões fundamentais: “oração e súplica, com ação de graças”. A oração refere-se ao ato geral de adoração e comunhão; a súplica expressa o clamor específico pelas nossas necessidades prementes; e a ação de graças é a atitude do coração que reconhece a bondade de Deus, mesmo antes de ver a resposta ao pedido. Assim, a oração cristã não é alimentada apenas pelo desespero da necessidade, mas pela solidez da fé. O crente apresenta suas petições com serenidade porque conhece a fidelidade dAquele a quem se dirige.

Existe aqui uma profunda mudança de perspectiva. Enquanto a ansiedade projeta cenários sombrios sobre o futuro e faz o coração sofrer por antecipação, a oração eleva os olhos para Aquele que governa todas as coisas. Ao orar, não estamos informando ao Senhor algo que Ele desconheça, pois Jesus ensinou que o “vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes” (Mt 6:8). Nós oramos não para convencer a Deus a cuidar de nós, mas porque reconhecemos a nossa absoluta dependência do Seu cuidado.

A promessa que decorre dessa atitude é extraordinária: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” No Comentário Bíblico Moody, lemos que “a paz de Deus é a tranquilidade de espírito que Deus aprova e que só Ele pode conceder”. Essa paz graciosa não garante que as circunstâncias externas serão alteradas imediatamente. Por vezes, Deus remove o obstáculo; em outras ocasiões, Ele fortalece o crente para atravessar a tempestade. Em ambos os casos, a Sua paz interior permanece inabalável.

Ao afirmar que essa paz “guardará” o coração e os sentimentos, Paulo recorre a uma imagem militar bastante familiar aos leitores de Filipos, uma colônia romana guardada por guarnições de soldados. Da mesma forma que uma sentinela protege uma fortaleza contra ataques externos, a paz de Deus posta-se como guarda da nossa mente contra as invasões do medo e do desespero. Conforme observa o Comentário Bíblico Moody, essa declaração “mais provavelmente significa que a paz de Deus ultrapassa todo nosso cuidadoso planejamento e ideias inteligentes sobre como poderemos acabar com as nossas próprias ansiedades.”

Essa serenidade não resulta de fórmulas repetitivas ou de técnicas humanas de controle emocional; ela nos é concedida unicamente “em Cristo Jesus”. A âncora da nossa alma não está na capacidade de manter a mente positiva, mas na certeza inegociável de que pertencemos ao Redentor. O cristão pode encarar o amanhã sem terror, porque sabe que o seu Senhor já está no amanhã.

Por essa razão, a oração jamais deve ser reduzida a um recurso de emergência para horas de crise, mas precisa ser a prática constante de toda a caminhada cristã. Jesus exortou Seus discípulos sobre o dever de orar sempre e nunca desfalecer (Lc 18:1), e Paulo ordenou de forma categórica: “Orai sem cessar” (1Ts 5:17). Uma vida de contínua oração preserva a alma consciente do seu abrigo seguro e fortalece a comunhão com o Deus da paz.

Quando a ansiedade bater à sua porta, não permita que ela controle seus pensamentos nem tome decisões por você. Converta cada preocupação em oração. Leve suas aflições ao Pai celeste com humildade, enumere as bênçãos já recebidas com um coração grato e descanse a sua mente na soberana sabedoria de Deus. Faça da oração o seu hábito prioritário e diário de comunhão com o Senhor.

Diante dos problemas e das incertezas da vida, a sua primeira reação tem sido articular soluções humanas e angustiar-se, ou dobrar os joelhos e entregar cada detalhe nas mãos de Deus?

Oração:
Senhor Deus e Pai celestial, ensina-me a viver em profunda e contínua dependência de Ti. Entrego em Tuas mãos todas as minhas preocupações, inquietações e necessidades, confiando no Teu amor e na Tua fidelidade. Guarda a minha mente e os meus afetos com a paz que excede todo o entendimento humano, para que eu caminhe seguro em Jesus Cristo. Em nome do Teu Filho amado. Amém.

Cleber Montes Moreira
Pastor da Igreja Batista de Vila Antunes, Cajati (SP)
Colunista do Portal

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