
No dia 5 de junho se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. Aqui no Brasil não temos o que comemorar. Eis alguns dados publicados pelo Instituto Trata Brasil: Quase metade dos brasileiros não possui coleta de esgoto; de 32 a 33 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso a água potável; em média, 37,8% da água tratada é perdida na distribuição (vazamentos); a falta de saneamento básico gerou mais de 344 mil internações por doenças de veiculação hídrica em um único ano; cerca de 4,7 milhões de domicílios ainda queimam lixo no próprio quintal; a coleta seletiva porta a porta atinge 14,7% dos brasileiros; 771.399 piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento foram despejadas na natureza este ano; apenas 28.6% dos municípios brasileiros utilizam aterros sanitários adequados; o Brasil contabiliza 3.000 lixões a céu aberto; no ano de 2025, começou com um aumento de 68%, ou seja, 133km2 de desmatamento da Amazônia. Todos estes dados devem nos levar, como líderes cristãos, a atitudes e ações propositivas. Não podemos nos conformar com esse caos no Meio Ambiente.
Há, sem dúvida alguma, uma relação intima entre liderança cristã e o meio ambiente. Não é possível exercer a liderança sem cuidar do meio ambiente, pois trata-se da natureza excelentemente criada por Deus. Cuidar do ecossistema é zelar pelo ser humano, pois a qualidade de vida é essencial para a sua saúde. A Igreja deve ser o exemplo de comunidade que ensina e pratica a coleta seletiva do lixo; a economia de água e energia; o plantio de árvores; a diminuição dos poluentes e outras formas de preservação ambiental. A Igreja de Cristo deve ter um programa de educação ambiental, procurando mobilizar toda a sociedade para um engajamento sério neste assunto tão relevante. O líder cristão, uma vez na direção da igreja, há de ensinar o povo a administrar muito bem a natureza que Deus criou com tanto amor. Cuidar do meio ambiente é muito mais que moda, é estilo de vida saudável, agindo com responsabilidade. É reconhecer que os céus manifestam a Glória de Deus e o firmamento anunciar as obras de Suas mãos (Salmos 19.1-6).
O cristão como cidadão deve ser o exemplo de responsabilidade social e desenvolvimento sustentável. A destruição das florestas, a contaminação dos rios e mares, estão intimamente ligados à questão econômica e a falta de educação continuada e, principalmente, a questão do coração, do egoísmo, que é mais profunda. Motivado pela ganância e pelo egoísmo, o homem é um predador feroz da natureza. Ele busca os seus interesses econômicos em detrimento do ecossistema criado pelo Senhor. Tem-se muito pouco respeito pela fauna e pela flora. Os números do desmatamento, das erosões e poluição dos rios são simplesmente alarmantes. É uma vergonha para um país minimizar a questão ambiental. O agente vital da sustentação do ecossistema é o homem. Deus deu ao homem a condição de ecônomo, isto é, de administrador competente dos recursos naturais (Gênesis 1.26-29). A sustentabilidade, cujo tripé é formado pela economia, pelo meio ambiente e social, deve fazer parte do nosso interesse.
Em seu livro “Poluição e Morte do Homem” (1970), o Dr. Francis Schaeffer, filósofo cristão, já estava alertando para o descaso do homem moderno em relação ao meio ambiente. Poucos buscam unir empreendimentos comerciais e industriais com a gestão eficiente do ecossistema. “O homem tem o poder para dominar a natureza, porém o usa de modo errado. O cristão tem a responsabilidade de mostrar este domínio, porém corretamente: concedendo às coisas seu valor real; dominando, mas sem destruir. A Igreja sempre deveria ter ensinado este fato, porém, de modo geral, tem fracassado em fazê-lo, e necessitamos confessar nosso fracasso. Francis Bacon compreendeu isto, e assim outros cristãos de outros tempos o têm entendido também, mas devemos dizer que durante muito tempo os mestres cristãos, incluindo os teólogos mais ortodoxos, têm mostrado uma autêntica pobreza com respeito a este ponto” (Schaeffer, 1976: 80).
Somos desafiados a um compromisso com o ‘empreendimento saudável’ ou “desenvolvimento sustentável”, que procura unir o útil ao agradável. A economia com o meio ambiente. A sustentabilidade traz alta qualidade de vida para a população. O cristão comprometido com as Escrituras tem uma visão bem apurada do ecossistema. Ele é um participante efetivo do desenvolvimento sustentável. Ele planta e estimula a plantar árvores, trabalha na despoluição dos rios e conscientiza as pessoas acerca da coleta seletiva, usando o material reciclável para o reaproveitamento e outros materiais visando a produção de energia limpa. Usa de forma inteligente a água e a energia solar. Busca formas das mais variadas para eliminar a emissão de gases poluentes na atmosfera. Então, tratar o meio ambiente com responsabilidade é uma tarefa contínua do líder cristão, que é um cidadão comprometido com a ética do Reino de Deus. As Igrejas devem ser conscientizadas acerca das diversas ações eficientes com relação à questão ambiental. O líder cristão deve ser um leitor e pesquisador deste assunto tão atual e desafiador. Não há como ser diferente. A liderança comprometida com o ethos de Deus precisa estar sempre atenta para os movimentos ambientais ao redor do mundo. Cada um cuidando do seu microcosmo para, então, ver os resultados no macrocosmo.
Na verdade, “pensando globalmente e agindo localmente”. Todos os tratados ambientais devem ser conhecidos. Como cristãos, a nossa posição será sempre a do equilíbrio entre o meio ambiente e a produção de bens e serviços. O binômioeconomia-ecossistema deve definir a agenda do desenvolvimento de um país e do mundo nesta economia globalizada. Todo o mundo deve estar atento para as políticas de gerenciamento ambiental. Há vários manuais que ajudam a tratar com responsabilidade as questões ambientais. Somos, como cristãos comprometidos com os valores do Reino de Deus, responsáveis pelo treinamento dos nossos filhos e netos no quesito ambiental. Deus será glorificado à medida que nós tratamos a Sua natureza com amor, integridade e responsabilidade.

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob
Colunista deste Portal













