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Conselhos a um jovem Pastor – Parte 1

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Um grande amigo, filho de renomado pastor, solicitou-me escrever sobre que conselhos daria a um jovem pastor. Firmado na experiência de 55 anos de ministério pastoral, certamente teria acumulado, ao longo do ministério, algum as experiências que seriam bênçãos na vida de qualquer pastor. Claro que nem tudo vivido no ministério pastoral, pode ser escrito ou sugerido a quem está iniciando. Há experiências que não podem ser reveladas ou escritas. Toda profissão tem algo que deve ficar guardado entre o pastor e a ovelha atendida no gabinete pastoral. O púlpito deve resguardar-se de expor o que o pastor viu em uma visita ou ouviu ao atender uma ovelha. Na verdade, o Seminário não ensina ao pastor como proceder ao longo da caminhada ministerial. A vida prática é que vai ensinar como proceder e agir ao longo da caminhada com a Igreja e as ovelhas.

1º – O pastor precisa ter em mente, sempre, que as ovelhas não lhe pertencem.

As ovelhas são de Cristo. Jesus deixou esta verdade bem clara ao comissionar Pedro a apascentar o rebanho do Senhor “Apascenta as minhas ovelhas” (João 21.15-17). Ao escrever sua primeira carta, o velho apóstolo repete o que recebeu de Je­sus: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente, segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como domina­ dores sobre os que foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho” (I Pe 5.2-3). O pastor há que exercer o ministério com alegria crescente. Mesmo quando encontra no rebanho ovelhas rebeldes, que tentam prejudicar o seu ministério, há que ministrar com alegria crescente.

2º – Alguns exemplos bíblicos de ovelhas rebeldes, não devem tirar a alegria de servir ao Senhor.

Paulo enfrentou muitas dificuldades com algumas ovelhas que integravam o rebanho que Deus lhe confiou. Ele diz dos males que Alexandre, o latoeiro, lhe causou (II Timóteo 4.14-15).

Ao longo do ministério, todo Pastor vai encontrar alexandres, latoeiros, a prejudicar o ministério pastoral. Isto não é razão para abandonar a chamada recebida do Senhor. Mas, de estímulo a servir com crescente alegria e maior dependência ao Senhor do rebanho. O apóstolo João enfrentou, na execução do seu ministério pastoral, algo que hoje se repete com frequência. Pessoas que tentam interferir no ministério pastoral. São crentes que se dizem chamados para o ministério, mas que nunca receberam a chamada divina. Tentam por todos os meios interferir na vida do pastor e da Igreja. Na Igreja pastoreada por João, havia um “salvo” chamado Diótrefes, que tentava interferir na vida da Igreja. Hoje, são chamados “donos” da Igreja. Difícil numerar as Igrejas que tem os seus donos, hoje. Às vezes é uma família inteira. Julgam-se donos de tudo. O vice moderador é sempre o mesmo. A presidente da denominada antiga União Feminina é sempre a mesma. Todos votam ou acompanham o voto de tais líderes. A Igreja fica emperrada e não cresce. Não aceita nenhum projeto novo. Normalmente, tais líderes se posicionam no auditório em lugares estratégicos e o resto da congregação só vota ou não vota após a decisão de tais lideranças. Já fui vítima de tal liderança na Igreja. A única solução é suplicar ao dono do rebanho que elimine ou remova tal liderança da Igreja.

Jesus sempre ouve a oração do pastor, quando este nomina ao Senhor os nomes de tal liderança perniciosa. O pastor precisa crer que o domínio da Igreja por Cristo está acima de tais líderes perniciosos. Atualmente, isto é muito comum. Os indivíduos usam “Deus me falou” para impor suas pretensões malignas na causa de Cristo. Ninguém ousa contestar quando “Deus falou”. Muitos dos erros e decisões tomadas atualmente nada tem a ver com a vontade de Deus. O jovem pastor deve ter cuidado em suas de­ cisões, especialmente a não se deixar influenciar pelas decisões que vem de grupos dominantes na causa de Cristo. Jam ais se deixar a com pro­ meter-se com decisões humanas que tentam manter o status quo. Jamais levar para a Igreja que Deus lhe confiou decisões ou orientações que não tenham o respaldo do Espírito Santo.

Isto não é fácil decidir. Continuaremos na próxima crônica.

Pr. Julio Oliveira Sanches

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