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A cruz: Cristo morreu em nosso lugar

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“Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.” (Isaías 53:5-6)

A cruz de Cristo é o centro da mensagem do evangelho. Nela, Deus revelou simultaneamente a gravidade do pecado, a perfeição de Sua justiça e a grandeza de Seu amor. Séculos antes do nascimento de Jesus, o profeta Isaías descreveu, com impressionante clareza, aquilo que o Messias realizaria em favor dos pecadores. O Servo do Senhor sofreria não por Seus próprios pecados, mas pelos pecados de outros.

Isaías afirma que Cristo foi “ferido por causa das nossas transgressões e moído por causa das nossas iniquidades”. A repetição dessas expressões deixa claro que Seu sofrimento teve caráter substitutivo. Jesus não morreu como vítima de uma injustiça humana apenas, nem como exemplo de coragem ou fidelidade. Ele morreu em nosso lugar. O castigo que deveria recair sobre nós foi colocado sobre Ele. Na cruz, o Justo sofreu pelos injustos, “para levar-nos a Deus” (1Pe 3:18).

Essa verdade revela a seriedade do pecado. Se houvesse qualquer outro meio de reconciliar o homem com Deus, a cruz seria desnecessária. Nenhuma boa obra, nenhum sacrifício humano e nenhuma prática religiosa poderia satisfazer as exigências da justiça divina. O preço da redenção era alto demais para ser pago por um pecador. Somente o Filho de Deus, absolutamente santo e sem pecado, poderia oferecer-Se como sacrifício perfeito.

O profeta também declara: “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele”. A paz mencionada aqui não é apenas tranquilidade emocional, mas a restauração do relacionamento entre Deus e o homem. O pecado havia produzido inimizade e condenação; a cruz tornou possível a reconciliação. Como escreve Paulo: “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5:1). Essa paz não é conquistada pelo esforço humano, mas recebida por aqueles que confiam na obra de Cristo.

Isaías prossegue dizendo: “pelas suas pisaduras fomos sarados”. O contexto mostra que essa cura refere-se, primeiramente, à restauração espiritual. O pecado havia contaminado o homem em sua totalidade, e somente o sofrimento vicário do Salvador poderia tratar essa enfermidade. O perdão dos pecados, a reconciliação com Deus e a nova vida em Cristo são os resultados da obra realizada no Calvário.

O versículo seguinte descreve a condição da humanidade: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho.” A comparação é significativa. Ovelhas perdidas não encontram sozinhas o caminho de volta ao aprisco. Precisam ser resgatadas pelo pastor. Assim também acontece conosco. Cada ser humano seguiu seu próprio caminho, afastando-se de Deus. Mas o Senhor, em Sua misericórdia, “fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos”. Na cruz, Cristo assumiu voluntariamente a culpa que era nossa, para oferecer-nos a justiça que pertence a Ele.

Diante dessa verdade, a cruz deixa de ser apenas um símbolo do cristianismo e torna-se o fundamento da nossa esperança. Não somos salvos porque Deus ignorou nossos pecados, mas porque eles foram plenamente julgados em Seu Filho. A justiça foi satisfeita, a dívida foi paga e o caminho para Deus foi aberto. Por isso, todo aquele que se arrepende e crê em Jesus encontra perdão completo e vida eterna.

Jamais olhe para a cruz como um acontecimento comum da história. A cruz é um divisor de águas; ela separa eternamente os que creem dos que não creem. Ao contemplar Cristo crucificado, lembre-se de que Ele tomou o seu lugar para que você pudesse ser reconciliado com Deus. Receba essa verdade com gratidão, viva em obediência ao Salvador e anuncie essa mensagem àqueles que ainda não a conhecem.

Como o seu coração responde ao compreender que a condenação da cruz pertencia a você, mas Jesus ocupou o seu lugar para carregar toda a sua culpa?

Cleber Montes Moreira
Pastor da Igreja Batista de Vila Antunes, Cajati (SP)
Colunista do Portal

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