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A paciência de Moisés

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Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor. (Salmo 40.1)

A paciência não é algo natural no coração do homem. Por natureza, somos impacientes, ansiosos, precipitados. Sempre queremos que as coisas aconteçam no nosso tempo, segundo a nossa vontade. Mas, uma vez alcançados por Cristo, somos chamados a viver de maneira diferente. A Palavra de Deus nos chama à perseverança, à espera confiante, à submissão ao tempo e à vontade de Deus.

Moisés é um excelente exemplo de aprendizado sobre a paciência. Essa virtude foi fruto da fé e da comunhão com Deus. Ele foi moldado por anos no deserto, por conflitos com um povo obstinado, por enfrentamentos diante do Faraó e, acima de tudo, por uma convicção profunda da soberania e da presença de Deus. Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível. (Hebreus 11.27)

Moisés não foi movido pelas circunstâncias, mas pela convicção de que Deus estava ali, dirigindo, sustentando e conduzindo. Ele suportou afrontas, traições, injustiças, ingratidão e solidão, porque cria que Deus estava no controle de tudo.

Moisés passou quarenta anos no deserto antes de ser chamado para libertar Israel. Quarenta anos não é pouco tempo. Imagine a sensação de inutilidade, de esquecimento! No entanto, aprendeu a paciência do silêncio. Deus a moldava no secreto, longe dos holofotes, para torná-lo servo fiel.

Mesmo depois de todos esses anos, Deus não permitiu que ele entrasse na terra prometida. Aos olhos humanos, pareceria injusto. Mas Moisés sabia que a herança maior era Deus. Disse-lhe o Senhor: Esta é a terra…à tua descendência a darei; eu te faço vê-la com os próprios olhos; porém não irás para lá. (Deuteronômio 34.4).

Você e eu precisamos aprender sobre isso. Há tempos em que Deus nos leva ao deserto, não como punição, mas como preparação. O deserto é escola. Ali a pressa morre, e a fé amadurece. Quem deseja ser útil nas mãos de Deus precisa aprender a esperar por Ele.

O cristão precisa aprender a confiar na recompensa eterna. Nem toda promessa se cumpre neste mundo. Algumas só se cumprem na glória. A verdadeira fé é paciente até o fim.

Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa. (Hebreus 10.36)

Mas como podemos cultivar a paciência em nosso dia a dia? Aqui estão algumas lições que podemos aprender com Moisés:

Andar com Deus diariamente: Moisés falava com Deus como quem fala com um amigo (Êxodo 33.11). Isso moldava sua alma;

Submeter o coração à vontade de Deus: Ele deixou de ser um príncipe para ser servo. A paciência nasce da humildade;

Confiar na soberania divina: Ele sabia que Deus o guiava, mesmo quando o caminho era escuro;

Lembrar o fim: a Terra Prometida não era Canaã, mas o próprio Deus. O Senhor é a porção da minha herança. Salmo 16.5;

Olhar para Cristo: Moisés apontava para um Redentor maior. E hoje temos o exemplo perfeito da paciência em Jesus.

Aprender a paciência é um processo, não um dom instantâneo. Começa na cruz. Cristo foi o mais paciente de todos: suportou a cruz sem abrir a boca (Isaías 53.7), foi rejeitado sem reclamar, foi traído sem retaliar. A paciência vem do Espírito Santo habitando em nós e nos moldando a Cristo. Mas o fruto do Espírito é… paciência… (Gálatas 5.22).

O mesmo Deus que operou na vida de Moisés opera hoje. E Ele pode, pela Sua graça, fazer do meu e do seu coração agitados, um lugar de quietude e de confiança.

Por Marcos Peixoto

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