
Santidade é semelhança com Cristo. Não é um esforço religioso, mas uma busca profunda do cristão para ser semelhante ao Senhor. O texto de Filipenses (gerado em Roma, cujo portador foi Epafrodito, 4.18) ensina que, como filhos de Deus, no meio de uma geração pervertida e corrupta (características deste mundo que está no maligno – 1 João 5.19), devemos ser irrepreensíveis, sinceros e inculpáveis (manifestações de uma vida santa), como luzeiros do mundo (Filipenses 2.15).
Os textos de Levítico 11.44 e 19.2, que Pedro traz para a Sua primeira carta (1.15-16) ensinam categoricamente que Deus, nosso Pai, ordena que sejamos santos em todo o nosso procedimento. Qual é o fundamento? “Porque eu sou Santo”, declara o Senhor.
Nesta exposição, com base no texto de Isaías 6.1-8, vamos, juntos, aprender que a santidade para a glória de Deus é necessária e urgente a partir da visão de Sua sublimidade, em duro contraste com a realidade da minha pecaminosidade e da condição deplorável do povo, e que estas verdades nos levam a cumprir a missão de pro clamarmos ao mundo o Deus Santo na revelação de Jesus Cristo, nosso Salvador, pelo poder do Espírito Santo.
Santidade para a glória de Deus a partir da visão da sua majestade (v 1 -4)
O rei Uzias morreu no ano 740 a.C. Ele foi um bom rei e reinou 52 anos em Jerusalém. Foi no ano em que ele morreu que o profeta viu o Senhor as sentado sobre um alto e sublime trono (altura e beleza). Temos aqui posição, Deus é o grande Rei, acima de todos os deuses (Salmos 95.3). O Senhor é o Rei eterno (Salmos 10.16).
Os serafins são seres abrasadores, assistentes ou servidores do trono celestial, mas não são mencionados em qualquer outro lugar das Escrituras. São ministros do santuário invisível. Eles cobriam o rosto porque se sentiam indignos ou incapazes de olhar para o Senhor.
Os serafins clamavam uns para os outros: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos. Temos aqui atos de adoração. Como devemos dizer uns para os outros que o Senhor é Santo!
Como afirma Crabtree, com referência ao Senhor, a santidade é a palavra-chave da profecia de Isaías, dando ênfase à Sua Transcendência.
Ainda no v.4, há uma afirmação: Toda a terra está cheia da Sua glória (1 Coríntios 10.31; Salmos 19).
John MacArthur nos ensina que o propósito mestre ou o alvo principal da vida é a glória de Deus. O propósito principal do homem e glorificar a Deus e gozá-lo para sempre (Catecismo de Westminster).
A glória de Deus foi manifestada na ressurreição de Lázaro. Jesus respondeu a Marta: “Não te disse eu que se creres, verás a Glória de Deus” (João 11.40).
A glória de Deus se manifesta em Sua natureza sublime. É a combinação de todos os Seus atributos (Êxodo 33.18-19). O sol produz luz para que o vejamos. A glória de Deus é que nos capacita a fazer tudo para a Sua glória. A glória de Deus é vista no Verbo que se fez carne e habitou entre nós (João 1.14). Podemos vê-la na Criação (Salmos 19).
Agostinho, um dos pais da Igreja, nos seu livro “Confissões” nos oferece uma belíssima peça intitulada “Cantando as perfeições de Deus”: Que sois, portanto, meu Deus? Que sois Vós, pergunto, senão o Senhor Deus? “E que outro Senhor há além do Senhor, ou que outro Deus além do nosso Deus?” Ó Deus tão alto, tão excelente, tão poderoso, tão onipotente, tão misericordioso e tão justo, [Deus] tão oculto e tão presente, tão formoso e tão forte, estável e incompreensível, imutável e tudo mudando, nunca novo e nunca antigo, inovando tudo e cavando a ruína dos soberbos, sem que eles o advirtam; sempre em ação e sempre em repouso; granjeando sem precisão; conduzindo, enchendo e protegendo, criando nutrindo e aperfeiçoando, buscando ainda que nada Vos falte.
Santidade para a glória de Deus a partir da realidade da nossa pecaminosidade (v.5-7)
Temos algumas confissões semelhantes à do profeta Isaías: Jó 42.6; Lucas 5.8. Não é possível buscar santidade de vida sem antes reconhecer que somos de uma natureza humana decadente.
A confissão de pecados pressupõe a minha consciência de ter uma natureza humana terrível. Confessamos Àquele que é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça e nos fazer semelhante a Cristo (I João 1.9; Gálatas 2.20).
O profeta estava em temor e tremor depois da visão de Deus. Ele disse “ai de mim” que sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios. E os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos (v.5).
Deus, na Sua glória, não usa vasos sujos. Devemos orar todos os dias: Senhor, liberta-me de mim mesmo; do meu egoísmo, da minha avareza, da minha prepotência, da minha timidez, da minha covardia, da minha omissão, da minha acomodação ou inércia, da minha apatia, do politicamente corre to, da minha insensibilidade, da minha carnalidade, do meu sensualismo.
A nossa santidade é semelhança com Cristo. Quanto mais parecidos com Jesus, mais santos somos. De vemos seguir os Seus passos (1 João 2.6).
Santidade para a glória de Deus que nos leva a cumprir a missão de proclamá-lo ao mundo (v.8)
O de que precisamos nesta hora é corações fervorosos, olhos que choram e lábios dispostos a propagar o Evangelho (Ravenhill). Corações ferventes, mãos serventes. Deus quer que o Seu povo se torne como Cristo, pois semelhança com Cristo é a vontade de Deus para o povo de Deus (Stott). Devemos ser como Cristo em Sua encarnação, em Seu serviço, em Seu amor, em Sua longanimidade e em Sua missão. Não devemos preservar nossa santidade fugindo do mundo (escapismo), nem a sacrificar nos conformando com Ele (conformismo) – Stott.
Liberta-me, ó Senhor Onipotente, e faze de mim Teu servidor feliz e pronto. A irmã Francês Roberts orou: “Desata-me os pés e torna-os ágeis para cumprir o Teu mandato. Desprende-me a língua para cantar o Teu louvor. Prepara-me o coração para amar os perdidos com aquela grande e profunda compaixão de Jesus Cristo. Sim, livra-me das paixões e prega-as na Tua cruz. Amém”.
O homem santificado procurará fazer o bem neste mundo, diminuindo a tristeza e intensificando a felicidade de todos ao seu redor (Ryle). No seu livro “SANTIDADE’, J. C. Ryle, faz algumas colocações pertinentes:
A santidade é o hábito de ter a mesma mente de Deus à medida que tomamos conhecimento da Sua mente, descrita nas Escrituras.
Um homem santo se esforçará por evitar todo pecado conhecido, observando cada mandamento revelado.
Um homem santo se esforçará por ser semelhante ao Senhor Jesus Cristo.
Um homem santo seguirá a mansidão, a longanimidade, a gentileza, a paciência, a brandura, o controle sobre a própria língua.
Um homem santo seguirá o autocontrole e a abnegação.
Um homem santo seguirá o amor e a fraternidade.
Um homem santo seguirá o espírito de misericórdia e benevolência para com o próximo.
Um homem santo seguirá a pureza de coração.
Um homem santo será caracterizado pelo seu amor a Deus.
Um homem santo seguirá a humildade e sua atitude será de considerar os outros superiores a si mesmo.
Um homem santo seguirá a fidelidade em todos os seus deveres e relações da vida.
Em último lugar, e não menos importante, um homem santo se caracterizará por uma mentalidade espiritual.
De acordo com Charles Colson, santidade em nosso dia a dia é:
- Obediência a Deus – amar uns aos outros assim como ele nos amou.
- Obediência a Deus – mesmo quando isso contraria nossos próprios interesses.
- Obediência a Deus – é partilhar seu amor a outros, mesmo que isso nos custe.
- Obediência a Deus – é achar meios de ajudar àqueles que necessitam.
- Santidade é obediência a Deus.
- W. Tozer nos ensina o que ele chama de “Cinco Votos para o poder espiritual”, que fazem parte de uma vida santa para a Glória de Deus:
a) Trate seriamente com o pecado
b) Não seja dono de coisa alguma
c) Nunca se defenda
d) Nunca passe adiante algo que prejudique alguém e. Não aceite qualquer glória.
Deus quer usar homens e mulheres comuns para um trabalho extraordinário, fundamentados nas Escrituras, amorosos, humildes, mansos, que tenham fome e sede de justiça, pacificadores, limpos de coração, que estejam dispostos a pagarem o preço da perseguição do mundo. Deus quer ser glorificado em cada um de nós que O ama e O serve de todo o coração, enviados para proclamarmos a Cristo Jesus até que Ele volte. Em santidade de vida para a glória de Deus, proclamemos em alto e bom som: Maranata, Senhor Jesus!

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob
Colunista deste Portal













