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Batistas aprovam avanço de emenda que restringe pastorado feminino

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A Convenção Batista do Sul (SBC, na sigla em inglês), considerada a maior denominação protestante dos Estados Unidos, aprovou nesta quarta-feira (10) o avanço de uma emenda constitucional que reafirma a posição contrária à ordenação de mulheres ao pastorado e ao exercício de funções de pregação pastoral nas igrejas vinculadas ao grupo.

A decisão foi tomada durante a reunião anual da denominação, realizada em Orlando, na Flórida, onde mais de 8 mil representantes das igrejas locais, chamados de mensageiros, participaram da votação. A proposta recebeu 74,6% de aprovação, enquanto 25,09% dos delegados se posicionaram contra.

Pelas regras internas da SBC, qualquer alteração constitucional precisa ser aprovada por dois terços dos votos em dois encontros anuais consecutivos. Por esse motivo, a mudança ainda dependerá de uma nova aprovação na convenção de 2027 para entrar oficialmente em vigor.

Tentativas anteriores de estabelecer a mesma restrição não avançaram porque não alcançaram o percentual exigido. Em 2024, por exemplo, uma proposta semelhante obteve maioria, mas não atingiu o quórum necessário.

A emenda foi apresentada pelo teólogo Albert Mohler, presidente do Seminário Teológico Batista do Sul, que afirmou que o tema precisa ser definido com maior precisão dentro da denominação. “Precisamos de clareza constitucional sobre esse assunto”, declarou Mohler, que também participou da formulação da posição adotada pela SBC em 2000, quando a denominação passou a afirmar que o cargo pastoral deveria ser exercido por homens.

O texto aprovado estabelece que igrejas sejam retiradas da cooperação denominacional caso “afirmem, nomeiem ou apoiem uma mulher para exercer o cargo ou função de pastora, presbítera ou supervisora”, especialmente quando essa função envolver a pregação diante da congregação.

Os defensores da medida argumentam que a alteração não cria uma nova doutrina, mas formaliza uma interpretação já presente na Declaração de Fé Batista. Para eles, a mudança ajudaria a definir quais igrejas permanecem alinhadas aos princípios da convenção.

O assunto, porém, continua gerando forte debate entre os batistas. Nos últimos anos, a SBC retirou do rol de cooperação algumas congregações que mantinham mulheres em posições pastorais, entre elas a Saddleback Church, fundada pelo pastor Rick Warren.

Na ocasião, Warren questionou a decisão e afirmou que divergências teológicas sempre fizeram parte da história dos batistas. “Por que essa questão deveria cancelar nossa irmandade?”, perguntou o líder.

Ele também declarou que igrejas com mulheres na equipe pastoral não deveriam ser consideradas em desacordo com a denominação. “As 1.129 igrejas com mulheres na equipe pastoral não pecaram”, afirmou.

Enquanto a SBC mantém uma interpretação complementarista das Escrituras — defendendo que homens e mulheres possuem o mesmo valor diante de Deus, mas papéis distintos na liderança da igreja — outras tradições evangélicas adotam posições diferentes. Entre os pentecostais, por exemplo, a presença feminina em posições pastorais é mais comum. Um dos nomes mais conhecidos nesse contexto é Paula White-Cain, que ganhou projeção nacional ao liderar o Escritório de Fé da Casa Branca durante o governo de Donald Trump.

Organizações favoráveis ao ministério feminino criticaram a aprovação da emenda. A Baptist Women in Ministry, grupo que oferece apoio a mulheres envolvidas em ministérios cristãos, realizou uma campanha em Orlando antes da votação, com uma mensagem defendendo mulheres que ensinam e pregam a Bíblia.

Após o resultado, a organização afirmou: “As mulheres no ministério merecem afirmação, respeito e a oportunidade de seguir o chamado de Deus”. O grupo acrescentou: “Estamos com o coração partido por terem sido negadas essas liberdades fundamentais durante o processo eleitoral”.

Críticos da proposta também argumentam que a decisão limita a autonomia das igrejas locais, um princípio historicamente valorizado pelo movimento batista. Além disso, afirmam que a denominação deveria direcionar maior atenção a outros desafios, como a redução do número de membros e o fortalecimento das políticas de prevenção contra abusos.

Com aproximadamente 12 milhões de membros, a Convenção Batista do Sul exerce grande influência no cenário evangélico mundial. Por isso, a decisão ultrapassa as fronteiras dos Estados Unidos e amplia uma discussão que ocorre em diferentes tradições cristãs: qual deve ser o papel das mulheres na liderança e no ministério das igrejas. 

Com informações RNS e Baptist Press

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