Convenção Batista Fluminense
Home Artigos Firmados na rocha eterna

Firmados na rocha eterna

4

“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.” (Mateus 7:24–25)

O Senhor Jesus encerra o Sermão do Monte com uma imagem simples, mas profundamente poderosa. Dois homens constroem suas respectivas casas. À primeira vista, ambas parecem seguras. Ambas possuem estrutura e, por algum tempo, resistem bem ao clima favorável. A diferença crucial entre elas, porém, não está no aspecto exterior, mas no fundamento invisível sobre o qual foram levantadas. Quando a tempestade finalmente chega, o que estava oculto se torna evidente.

Essa parábola nos ensina uma verdade que o homem natural reluta em aceitar: a solidez de uma vida não é medida pelo que ela aparenta nas temporadas de calmaria, mas pelo fundamento sobre o qual está construída. É perfeitamente possível parecer estável aos olhos dos outros e, ainda assim, estar caminhando para um colapso espiritual iminente. Por outro lado, também é possível atravessar dias extremamente difíceis sem desmoronar, desde que o fundamento seja Cristo.

No contexto do sermão, Jesus não está tratando de pessoas declaradamente irreligiosas em contraste com discípulos sinceros. O confronto aqui é mais desconfortável: trata-se de dois ouvintes da Palavra. Ambos escutam as advertências de Cristo. Ambos têm contato direto com a verdade. Ambos, de certo modo, estão próximos da mensagem do Reino. A linha divisória é que um ouve e pratica, enquanto o outro ouve e ignora. Aqui se distingue não apenas a atitude em relação ao ensino do Mestre, mas a própria natureza de cada um.

Surge daí uma advertência necessária para os nossos dias. Não basta admirar os ensinos de Jesus, concordar intelectualmente com eles ou emocionar-se diante da mensagem do evangelho. Não basta frequentar cultos, memorizar passagens bíblicas ou dominar uma linguagem religiosa. A casa construída sobre a rocha representa a vida daquele que recebe a Palavra de Cristo com uma fé obediente. A rocha, nesse cenário, não é uma espiritualidade genérica ou abstrata, mas a firmeza de uma vida voluntariamente submetida à autoridade do Senhor.

Isso nos protege de uma compreensão superficial do texto. Jesus não está ensinando que a segurança espiritual provém de mero esforço moral, como se a salvação pudesse ser erguida pela capacidade humana de obedecer a regras. O que Ele mostra é que a fé verdadeira e salvífica inevitavelmente se manifesta em obediência. Quem realmente se rende a Cristo não apenas escuta a Sua voz com agrado, mas se dispõe, pelo Espírito, a andar em Seus caminhos.

A tempestade mencionada por Jesus também merece nossa total atenção. Ela não é uma exclusividade da casa construída na areia. A chuva cai sobre ambas. Os rios transbordam contra ambas. Os ventos sopram com a mesma força sobre ambas. Isso nos lembra que a obediência a Cristo não nos confere imunidade contra as aflições desta vida. Os crentes também enfrentam enfermidades, perdas, perseguições, crises financeiras e dores profundas. A diferença fundamental não está na ausência da tempestade, mas no fundamento que resiste a ela.

Quantas vidas desmoronam ao nosso redor porque foram erguidas sobre bases frágeis e movediças! Alguns constroem sua segurança sobre o dinheiro, outros sobre a reputação, a estrutura familiar, a saúde física, a estabilidade emocional ou conceitos de uma religiosidade puramente humana. Tudo isso pode parecer suficiente e firme enquanto o tempo está calmo. Mas quando os ventos sopram com violência, aquilo que não tem Cristo como base revela sua trágica fragilidade.

Construir sobre a rocha exige muito mais do que uma emoção momentânea de domingo; exige arrependimento diário, fé viva e submissão contínua ao Senhor. É reconhecer que Cristo não é apenas um recurso de emergência para tempos difíceis, mas o fundamento de toda a nossa existência. Ele não veio para ocupar apenas um cômodo da casa, mas para ser a base sobre a qual toda a nossa vida se sustenta e se equilibra

Talvez hoje a sua vida esteja enfrentando ventos fortes e contrários. Talvez você esteja sendo confrontado justamente naquilo em que costumava depositar a sua segurança terrena. Ou talvez o tempo ainda esteja sereno, e a sutil tentação seja adiar decisões espirituais importantes. Em qualquer um dos casos, a palavra de Cristo continua a mesma: a única vida que permanece de pé é aquela edificada sobre Ele. Quem ouve a Sua voz, crê em Sua Palavra e se rende ao Seu senhorio encontra um fundamento absoluto, que nem a tempestade, nem o tempo, nem a eternidade poderão destruir.

Cleber Montes Moreira
Pastor da Igreja Batista de Vila Antunes, Cajati (SP)
Colunista do Portal

Deixe uma resposta