
Uma descoberta arqueológica às margens do Mar da Galileia trouxe novos elementos para o entendimento das primeiras práticas cristãs. Em escavações realizadas na antiga cidade de Hippos, estudiosos encontraram um objeto singular, datado de cerca de 1.400 anos, que pode ampliar o conhecimento sobre os rituais de batismo no período bizantino.
O artefato, descrito como um bloco de mármore com três cavidades arredondadas, foi localizado em um espaço litúrgico conhecido como “fotistério” — área dedicada a cerimônias batismais. O ambiente fazia parte de uma catedral erguida após o século 6 e destinada, especialmente, a batismos de crianças. Segundo os pesquisadores, “não existem paralelos conhecidos para o artefato”, o que reforça sua singularidade histórica.

De acordo com a análise dos especialistas, as três cavidades esculpidas na pedra podem ter servido para armazenar diferentes óleos usados durante o rito. A hipótese mais aceita é que o objeto estivesse ligado à prática do batismo por imersão tripla, tradição em que o fiel é submerso três vezes na água. “A pedra pode lançar luz sobre o tipo de ritos relacionados ao batismo praticados na catedral”, destacaram os autores do estudo.
Outro fator que contribuiu para a preservação do material foi um desastre natural ocorrido no século 8. Um terremoto que atingiu a região teria provocado o colapso da estrutura, “enterrando os artefatos de mármore e bronze sob os escombros”, o que acabou protegendo os itens por séculos até sua redescoberta.
Os resultados das escavações foram publicados por Michael Eisenberg e Arleta Kowalewska, que também destacaram outra peculiaridade do local: a presença de dois espaços batismais no mesmo complexo. “A catedral de Hippos é, até o momento, a única igreja primitiva conhecida com dois fotistérios”, afirmaram. As pesquisas na região seguem em andamento há mais de duas décadas, continuamente revelando novos aspectos da vida e da fé nas comunidades cristãs antigas.
Com informações The Christian Post
















