
“Conhecer a Deus sem conhecer a miséria humana gera orgulho. Conhecer a miséria humana sem conhecer a Deus gera desespero. Conhecer Jesus Cristo é a via média, pois nele encontramos tanto Deus quanto nossa miséria” (Blaise Pascal)
Conhecer a Deus só por meio de Cristo. Ele afirmou categoricamente: “Ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6). O Senhor Jesus é a chave para conhecer o Pai. Jesus disse: “Eu e o Pai somos um” (João 10.30). Filipe quis que Jesus mostrasse o Pai. A resposta de Jesus foi incisiva: “Filipe, há tanto tempo estou convosco, e ainda não me conheces? Quem vê a mim, vê o Pai. Como podes dizer: Mostra-nos o Pai?” (João 14.9). Os textos são muito esclarecedores. Conhecer a Deus de forma que lhe agrada é pela Pessoa e obra de Cristo. A fé na obra suficiente de Cristo Jesus nos faz conhecer o Pai de forma clara.
O conhecimento de Deus não é meramente pelas vias emocionais, mas pela fé porque ‘sem fé é impossível agradar a Deus’ (Hebreus 11.6). Conhecer a Deus é honra, privilégio pelos méritos de Cristo. A ação do Espírito Santo em meu espírito me habilita a conhecê-lo, pelo fato de Cristo legitimar a ação do Espírito em nós (Romanos 8.16-17). Conhecer a Deus significa despir-me de mim mesmo, das minhas pretensões carnais, das minhas expectativas intelectuais e dos meus sentimentos muitas vezes enganosos, enfim, eliminar todas as barreiras. O conhecimento do Pai vem pelo fato de tornar-me como uma criança – simples, dependente, humilde e sincera. Estar no Reino, ter acesso do Rei e ser Seu súdito ocorre a partir da minha consciência de que sou como uma criança (Mateus 18.1-5).
O conhecimento do Pai não é pela via religiosa, do sistema religioso, mas pela confiança no Seu amor incomparável revelado em Cristo Jesus. O conhecimento de Deus é vertical e é o fundamento da nossa relação horizontal, ou seja, com o próximo. Conhecer e amar o Senhor significa amar o meu próximo, suprir suas necessidades. Há uma conexão muito forte aqui. Não posso dizer que conheço e amo ao Senhor se eu não amo o meu próximo. Só posso conhecer a Deus a partir do meu amor por Ele. O amor a Deus está condicionado ao amor que nutro pelo próximo. Em Jesus Cristo conhecemos a Deus e a nossa miséria. Podemos dizer como o cego de Jericó: “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim” (Marcos 10.47-48).
Prossigamos em conhecer o Senhor. Busquemos a intimidade com Ele pela leitura de Sua carta de amor – a Sua Palavra –, e mediante a oração, um diálogo intensamente amoroso com Ele. Este conhecimento transforma quando vem pelo quebrantamento. Como diz John Knox – reformador escocês – entre o conhecimento e a transformação vem o quebrantamento. Deus se deu a conhecer a Isaias quando do seu chamado profético (Isaías 6.1-8). Ao receber a revelação de Deus, o profeta teve um quebrantamento e, como consequência, houve prontidão para ir e anunciar às nações que o Senhor existe e que Ele recompensa os que O buscam. A Revelação de Deus produziu o “eis-me aqui” (a fé e a consequente transformação) de Isaias, o profeta-servo, que estava pronto para proclamar o Senhor, como Aquele que está assentado sobre um alto e sublime trono, que reina soberanamente.
Então, o verdadeiro conhecimento de Deus produz mudanças profundas no coração do homem – físicas, emocionais, éticas e espirituais. Inclina-o a cumprir a Missão de Deus. O conhecimento do Pai por parte dos seus filhos implica em mudanças visíveis e testemunhos contundentes. As mudanças do coração produzem mudanças nas atitudes e nos atos dos que creem. Não mais eu vivo, mas Cristo vive em mim (Gálatas 2.20). À semelhança do profeta Isaías, conhecer o Senhor fez-me conhecer-me para poder levar outros a experimentá-lo. Jó conhecia ao Senhor só de ouvir falar, mas agora os seus olhos o veem (42.5). Isto é simplesmente fantástico! Prossigamos em conhecer o Senhor a cada dia. Examinemos a Sua Palavra, conversemos com Ele e falemos do Seu amor. Você está disposto a conhecê-lo por meio de Cristo Jesus?

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob
Colunista deste Portal













