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Traços vitais de um relacionamento saudável no casamento

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Há número considerável de casais em nossas igrejas com um grau enorme de dificuldade na área de relacionamento conjugal. Seja por causa da timidez; seja em função de traumas do passado; com uma porção de preconceitos e atitudes egoístas; com um temperamento explosivo, pavio curto, sem o mínimo de paciência; gente que critica negativamente, que possui uma postura ácida; gente amargurada; pessoas com uma insatisfação crônica; gente que murmura, pragueja; que age com falsidade, dissimulação, relacionando-se hipocritamente. Todas essas tendências e práticas pertencem à natureza de Adão, que herdamos em nossa constituição humana, pecaminosa e perversa. Jeremias trouxe da parte de Deus o seguinte diagnóstico do nosso coração ou da nossa natureza: “O coração é enganoso e incurável, mais que todas as coisas; quem pode conhecê-lo? Eu, o Senhor, examino a mente e provo o coração, para retribuir a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações” (Jr 17.9,10).

Tiago, inspirado pelo Espírito Santo, nos dá uma exortação preciosa: “Meus amados irmãos, tende certeza disto: todo homem deve estar pronto para ouvir, ser tardio para falar e tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tg 1.19,20). A confrontação do apóstolo aqui é muito eficaz. Funciona mesmo. Ele coloca muito bem aqui os três traços vitais de um relacionamento saudável: Amor, humildade e mansidão. Então, o amor tem disposição para ouvir o cônjuge; a humildade sabe esperar o momento para falar e a mansidão não reage negativamente. Jesus era assim. Em todo o Seu riquíssimo ministério Ele teve atitudes e atos marcados pelo amor, pela humildade e pela mansidão. Deixou muito claro que o Seu amor era incomparável (João 15.13,14) e que devemos aprender dEle que é manso e humilde de coração (Mt 11.29).

O amor, dizem as Escrituras, “tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta” (1 Co 13.4-8). O amor supera preconceitos, diferenças, temperamentos, egoísmo, timidez e quaisquer outros sentimentos que não estão em Cristo Jesus. O amor supera todas as barreiras e fossos estabelecidos pelo homem. O amor perdoa, abençoa, encoraja, compreende, aceita e coopera. No amor não há extratos, níveis sociais e econômicos. A linguagem do amor é a da aceitação, do perdão e da festa. O amor ouve, espera e descansa nAquele que tudo pode (Fil 4.13). No amor não há medo. A linguagem do amor é a da coragem, franqueza, legitimidade e coerência. No verdadeiro amor não há máscaras. O amor olha nos olhos e diz a verdade pura e simples.

A humildade, por sua vez, significa que reconheço a minha pequenez, as minhas limitações e que sou pó. Como dizia Antônio Vieira, somos pó em pé. Fomos alcançados pela graça. Perdoados por um pecado que não podíamos cobrir e resgatar. Jesus nos libertou a todos pelo Seu sangue derramado na cruz. O Seu poder se aperfeiçoa em nossa fraqueza, debilidade. A humildade é o oposto da arrogância. Devemos reconhecer sempre as nossas mazelas. Jesus foi humilde de coração (Mt 11.29). Por isso, a humildade sabe ouvir, esperar e descansar. Na humildade considero o outro superior a mim mesmo. A humildade é uma grande benção de Deus nos relacionamentos. Esta foi a orientação sábia de Paulo aos irmãos em Filipos (2.5-8). A humildade é a linguagem da igualdade. Todos nos encontramos no mesmo nível – o da cruz.  

A mansidão é o terceiro traço vital nos relacionamentos. Ser manso é submeter todos os meus direitos ao Senhor. Depositar a minha pretensa reputação aos Seus pés. Jesus sempre foi manso. A mansidão é uma atitude da pessoa regenerada, salva pela graça de Deus em Cristo Jesus. Ela nos aponta para a não-reação negativa, para o caminhar a segunda milha, para o sofrer em silêncio e abençoar os que nos perseguem. Significa vivermos em paz com os outros (Rm 12.18). Então, a mansidão aprende a ouvir, esperar e descansar. Estevão, diante do sofrimento, foi manso. Ele possuía o caráter de Cristo, o caráter do Cordeiro que foi para o matadouro mudo, sem abrir a Sua boca. O profeta Isaias fala claramente acerca desta verdade: “Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um cordeiro que é levado ao matadouro, e como ovelha muda diante dos seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Is 53.7).

Que esses traços vitais estejam em nós e em nossos relacionamentos. Que o Senhor Jesus Cristo domine completamente as nossas relações a partir do nosso coração.  Que a Sua paz seja o árbitro em nossos corações e sejamos agradecidos (Col 3.15). Louvemos a Deus, dignifiquemos o Seu grandioso nome, pelos nossos casamentos. Não respondamos ao agravo. Reconheçamos as nossas profundas limitações, falhas e os nossos defeitos. Então, sejamos prontos para ouvir; tardios para falar e tardios para se irar. A justiça de Deus vai agir na vida daqueles que vivem o amor, a humildade e a mansidão à semelhança de Jesus, nosso Salvador e Senhor.

Timothy e Kathy Keller, no seu livro “O Significado do Casamento”, falam, entre outras coisas, que o segredo do casamento é a entrega de ambos em unidade; o poder do casamento é o Espírito Santo; a essência do casamento é uma só carne; a missão do casamento é o marido amar a mulher como Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela para a santificar (Efésios 5.25-27).

O amor é a palavra mais importante em qualquer idioma […] O amor é uma coisa esplendorosa. Faz o mundo girar […]. Sem amor, as montanhas tornam-se insuperáveis, os mares intransponíveis, os desertos insuportáveis e as dificuldades avolumam-se pela vida afora (Chapman). Vivamos esses traços vitais em nossos casamentos!

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob
Colunista deste Portal 

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