
Ao se aproximar o final de ano poderíamos também pensar em uma pausa para fazermos o balanço de nosso ano e avaliar se valeu a pena toda trajetória de nossa agenda diária, para redescobrir novos caminhos, rever decisões tomadas. Para lhe ajudar, segue uma lista.
- Propósito de vida. Componente-chave para indicar a nossa trajetória de vida é definir claramente qual o propósito ou razão que nos projeta para além de uma agenda meramente produtiva, elevando-nos a um patamar superior, demonstrando que somos mais do que meros instrumentos fabris produtivos, para sermos sujeitos históricos e singulares. Cada pessoa é importante e tem diante de si o desafio de ser construtor de sua própria história de vida. Isso nos leva a buscar respostas para perguntas essenciais: por que e para que nasci, para que estou aqui, para onde vou? Será que nesse ano a minha vida teve sentido, será que valeu a pena viver? Será que no próximo ano minha presença em meu ambiente de vida vai ser agregadora?
- Valores e princípios éticos que sinalizam caminhos seguidos por meio das decisões diárias. Interessante é que sempre decidimos. Até mesmo quando dizemos que ainda não decidimos, estamos decidindo, pois uma não-decisão também é uma decisão: a de não ter decidido. E nisso necessitamos de referenciais seguros que venham a nos dar suporte entre o certo e o errado, entre o bem e o mal. Mas alguém poderá dizer que cada pessoa tem seus valores. Na prática é assim, mas vivemos em sociedade, ninguém é uma ilha. Pensando nisso, acabei desenvolvendo o que chamo de “ética mínima”, um conjunto de princípios éticos norteadores para nossas decisões que independem de nossa condição religiosa, política, cultural – por isso, uma ética mínima. Nesse campo da ética, podemos nos lembrar do professor Mario Cortella, que nos ensina que ela nos ajuda a responder a perguntas tais como: o que eu QUERO? O que eu POSSO ou de que NECESSITO? O que eu DEVO? Pois nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero. Quais foram os valores éticos que pautaram minhas decisões durante o ano que passou?
- Autoconhecimento, que tem a ver com nossa autoconsciência de quem de fato somos, de nossas crenças motivantes ou limitantes, nosso perfil, nosso estado em relação ao ambiente em que vivemos, seja profissional, seja familiar, seja social. O autoconhecimento nos leva a ter diante de nós o espelho da vida, para conhecermos o quanto temos conquistado com nosso projeto de vida, mas também o quanto ainda necessitamos buscar o aperfeiçoamento.
- Alteridade, isso é, o relacionamento com o nosso próximo, com componentes como a convivência, a generosidade, a escuta atenta, escuta ativa, posição que nos leva ao estado de sermos líderes-servos. O quanto valorizei as pessoas com quem convivi este ano?
Um ano vivido sem esses aspectos nos leva a sermos meros agentes produtivos consumidores da realidade e redes sociais, em vez de sermos seus construtores para que possamos deixar um legado para futuras gerações.
Lourenço Stelio Rega – Eticista e Especialista em Bioética pelo Albert Einstein Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa (Hospital Albert Einstein) Extraído da Revista Comunhão.













