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Uma reflexão sobre o hino 112 do CC “Vencendo vem Jesus”

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Foto: Freepik

Existem hinos que não são apenas cânticos; são declarações de grandes realidades teológicas e espirituais – indo completam ente na contramão da realidade evangélica atual, onde a grande maioria dos cânticos já estão passando longe de revelar verdades bíblicas, focando somente em exaltar o ser humano. O hino 112 do Cantor Cristão, “Vencendo Vem Jesus”, hino extremamente conhecido, pertence a essa categoria de melodias que não se limitam à estética do culto, mas carregam em si um chamado, uma convocação. Mas, principalmente: carrega um lembrete de que a história humana não caminha entregue ao acaso, mas que está nas mãos dAquele que a está fazendo se cumprir segundo a Sua própria vontade. Em seus versos, ecoa uma verdade que muitos insistem em esquecer por trás das inúmeras crises que vemos atualmente, por trás das guerras, das guerras de narrativas, das sombras da pós-modernidade e das estruturas corrompidas de nosso mundo, há um Rei que avança Um Reino que se aproxima dia após dia. Um Rei que não negocia com as trevas, que não se intimida com impérios, que não se curva às ideologias. Um Rei que vence.

E, talvez, seja justamente isso que mais incomode a nossa geração: a ideia de um Cristo vitorioso, um Cristo soberano, um Cristo com olhos de fogo que “vem vencendo”. Uma sociedade acostumada a editar os termos da fé, a relativizar absolutos, e a mol­dar Deus à própria imagem, resiste à figura desse Cristo que não pede licença à história – Ele a governa. Enquanto muitos tentam transformar Je­sus em símbolo, metáfora ou produto, o hino recorda que Ele é Rei. E que Sua glória, quer o mundo queira, quer não, já começou a refulgir.

Os versos do conhecido hino pro­ clamam que “os sinais de Sua vinda mais se mostram cada vez”. E esse é um fato impossível de negar vivemos numa época em que os abalos se tornaram constantes. Crise moral, crise de integridade, crise de sentido – crises que tenho descrito ao longo dos anos, em diferentes artigos, e que apontam para uma sociedade que per­ deu seu eixo, que caminha a passos rápidos rumo ao caos. Uma sociedade que trocou a verdade por narrativas, a integridade por conveniência, a fé por projeções psicológicas, pela conveniência e facilidade de se adaptar aos ensinos da religiosidade atual, e não aos ensinos de Cristo. Mas, justamente quando o caos parece se intensificar, a promessa do retorno de Cristo ressurge como um clarão que rompe a escuridão acumulada. Ele mesmo já adiantou que seu retorno seria precedido por trevas e caos, coisas que temos visto aumentar a cada dia. O hino não fala de um Cristo ausente, distante, que deixou o mundo à deriva, à sua própria sorte, mas de um Cristo que se move, que age, que já conquistou e que continua conquistando.

Quando o hino declara que “o clarim que chama os crentes à batalha já soou”, reconhece algo que muitos cristãos contemporâneos tentam negar viver a fé é entrar em conflito. Não um conflito de armas, mas de consciências. Não de ódio, mas de discernimento. Não de força bruta, mas de soberania espiritual. A batalha não é contra carne ou sangue — é contra sistemas que tentam “redefinir” o que Deus já definiu, contra ideologias que tentam substituir a verdade eterna por modismos passageiros, contra a sedução de uma cultura que prefere as sombras e as trevas desse mundo do que a luz. Em meio a tudo isso, Cristo não está atrás, observando. Ele está à frente, conduzindo um povo que muitas vezes nem percebe que está marchando.

Enquanto alguns imaginam que a fé é uma fuga da realidade, o hino nos lembra que Cristo não nos retira da história – é Ele que entra nela! Ele desce. Ele governa. Ele julga. Ele restaura. Os versos finais, biblicamente corretos, falam de um Cristo que muitos querem ignorar um Cristo que julga. Que julga o pecado, que julga o pecador, que julga as intenções. Um Cristo que vem para julgar, como nos diz a letra do hino que: “por fim entronizado, as nações há de julgar” Em uma época em que a justiça humana é corrompida, negociada, comprada ou sequestrada por interesses pessoais e escusos, é reconfortante saber que existe um Juiz diante do qual ninguém manipula evidências, ninguém compra sentenças, ninguém corrompe tribunais. O Cristo que vem vencendo é o Cristo que julga com equidade e justiça — e isso deveria trazer esperança aos íntegros e temor aos que insistem em se esconder na escuridão, pois o Cristo que veio mostrar o amor e a misericórdia de Deus, é o mesmo Cristo que virá julgar com justiça e juízo, e que lançará o pecador no lago de fogo e enxofre, para a segunda morte.

Mas o hino não é apenas escatologia; é convocação moral. Ele nos lembra que, enquanto Jesus vem vencendo, nós não podemos viver como quem está perdendo. A glória que já re- fulge não pode ser ignorada por aqueles que dizem segui-Lo. Se Cristo está avançando, não faz sentido uma igreja recuada. Se Cristo está conquistando multidões, não faz sentido um povo que vive como derrotado. Se Cristo go­ verna, não faz sentido discípulos que negociam princípios para adaptar-se a uma sociedade em colapso moral. A esperança cristã não é passiva; ela molda posturas, gera coragem, sus­ tenta integridade, reacende responsabilidades.

O hino termina com um canto de triunfo: “Glória, glória, aleluia!”. Esse é o canto dos remidos. E é significativo que o refrão se repita como uma espécie de afirmação que insiste em ecoar acima das circunstâncias. Em tempos de escuridão, repetir a glória de Cristo é um ato de resistência. Em tempos de corrupção, proclamar Sua vitória é um gesto de rebeldia contra o caos. Em tempos de desesperança, afirmar que Ele “vem vencendo” é declarar que o mal não terá a palavra final, pois o controle e o destino do mundo e da História estão nas suas mãos.

E é por isso que, ao cantar esse hino, não o faço como quem repete uma tradição emocional, mas como quem declara uma realidade inevitável. Não canto como espectador – canto como testemunha de um mundo que já cambaleia sob os sinais que de­nuncio há anos. Canto como alguém que vive em meio a essa crise cultural, moral e espiritual que tantas vezes tenho denunciado. Canto como quem vê a estrutura moral deste século ruindo diante dos próprios pecados, como quem observa a cultura se desfazendo diante de suas escolhas, como quem percebe que o colapso espiritual que tantas vezes apontei não é o fim: é o prelúdio de algo maior, mais santo, mais terrível e mais glorioso.

Canto como quem sabe que o Cristo que vem vencendo não virá pedir explicações, não virá negociar com a humanidade, não virá tentar convencê-la. Ele virá julgar. Ele virá separar. Ele virá pôr fim ao império das trevas que muitos insistem em romantizar. Virá revelar aquilo que a pós-modernidade tentou ocultar sob camadas de relativismo: a verdade absoluta, inegociável, inescapável.

E quando Ele vier — e Ele virá — todos os impérios ruirão. Todas as narrativas colidirão com a Palavra que não pode ser revogada. Todos os discursos serão silenciados pelo brilho de Sua glória. Todos os poderosos da terra tremerão. Todas as máscaras cairão. Nada permanecerá de pé além do Seu Reino.

Por isso, enquanto o mundo tenta anestesiar sua própria consciência e montar um teatro de normalidade em meio ao caos, eu escolho permanecer desperto. Porque sei que o mesmo Cristo que venceu no Calvário, que vence hoje em meio ao colapso moral da humanidade, é o Cristo que vence­ rá definitivamente quando rasgar os céus com poder e grande glória.

E nesse dia — o dia para o qual toda a história se inclina – não ha­ verá espaço para dúvidas, nem para discursos, nem para desculpas. O leão rugirá. O trono se erguerá. O Juiz falará. E toda a criação saberá que Ele sempre foi Rei. Por isso eu afirmo, contra o desespero, contra o caos, contra os sistemas, contra as trevas e contra o próprio tempo:

“Vencendo vem Jesus”.

E quando Ele vier, nada — absolutamente nada — permanecerá como está.

Por Wanderson R. Monteiro – Extraído do OJB.

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