
Um rebanho de ovelhas precisava de um condutor chamado de pastor. Jesus empresta a linguagem do Seu tempo para falar de si, e os apóstolos entenderam a aplicação a ponto de Paulo descrever essa pessoa como “homem casado, irrepreensível que cuidasse bem de sua própria casa”. O paradigma estava lançado e, de modo controverso, “Jesus era o bom pastor que dava sua vida pelas ovelhas, de modo que quem entrasse a Ele, entraria e sairia sempre achando pastagem e nenhuma delas se perderia” (Jo 10.11 a 16).
O Salvador foi apenas um único; os pastores deveriam ser muitos e ter qualificações específicas. Para conduzir, um pastor deve se qualificar moralmente. A semelhança de seu Senhor, deve ser “bom” como “pastor”. Essa primeira qualificação serve para elevar o nível moral de seus seguidores. Sua humanidade deve elevar suas ovelhas que uma vez salvas devem seguir o exemplo do seu líder pela qualificação moral – também devem ser boas. Sem retórica, não é qualquer pessoa “boa” que se qualifica para o ofício do pastoreio. Um pastor deve ter uma investidura específica que não se qualifica por sua intelectualidade ou por outras habilidades. Deve ter uma essência específica: deve “ser pastor”. “Ser” não é habilidade adquirida, mas virtude implantada pelo Senhor Supremo. “Estar pastor” não é “ser”.
A ciência, com habilidade, evolui e já criou o “cão pastor”, um robô com a mesma aparência, conduzido por controle remoto, capaz de pastorear um rebanho com muita eficiência. Pastor tem que “ser”, isto é, ter essência específica para o ofício. Equivale dizer: uma pessoa chamada, transformada pelo Senhor para conduzir pessoas, ovelhas de Jesus. Assim, pastoreio não é profissão aprendida em bancos de escola. Jesus disse: “Eu sou o bom pastor” e nunca deixou de ser bom, e, por isso mesmo “deu sua vida pelas ovelhas a ponto de jamais perder uma só delas”. Seus discípulos viveram e aprenderam com sua companhia por anos intensos de prática efetiva; tiveram as mais adversas experiências para encararem o efetivo pastoreio da Igreja de Jesus. Quem é, realiza porque tem essência vital; realiza porque é bom a ponto de tudo fazer para conduzir bem o rebanho do Supremo Pastor, Jesus. Assim, pois, um pastor conduz rebanho porque, à semelhança do seu Senhor, tem essência, qualificação e prática correspondente: “sou” “bom” “pastor” a partir do exemplo de Jesus.
Isso faz de uma pessoa que deseja o pastoreio, “pretenda uma excelente obra”, como Paulo aludiu. Qualificados pela chamada – essência, por virtude moral – “bom” e, pela consciência do ofício – pastor, tal pessoa deve ser reconhecida como tal e investido para pastoreio efetivo do rebanho de Jesus. Por isso, um pastor deve ser tão somente um mordomo a cumprir bem o seu ministério. É importante avaliar o ofício, isto é, as intenções desse liderar e conduzir pessoas para uma vida digna do nome do Sumo Pastor de nossas almas, a quem haveremos de prestar contas e podermos antever o que diremos: “Senhor, combati o bom combate, acabei a carreia e guardei a fé; e, sei que desde agora a coroa da vida me está reservada, como também está a todos os que cumprirem sua missão” (II Tm 4. 7 e 8).
Pr. Rubin Slobodticov













