
“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” (Mateus 7:22,23)
O orgulho é um mal sutil que contamina o coração humano. Ele pode se manifestar como arrogância, presunção ou uma confiança exagerada em si mesmo — especialmente quando alguém se sente satisfeito com sua própria conduta, méritos e realizações. Contudo, há uma forma ainda mais perigosa: o orgulho espiritual.
O apóstolo Paulo, em Romanos 12:3, nos exorta a não pensarmos de nós além do que convém, mas a termos um conceito equilibrado, conforme a medida da fé que Deus concedeu. Isso nos leva a refletir: quantos estão construindo sua segurança eterna sobre os alicerces frágeis de um desempenho religioso?
Na cena do juízo descrita por Jesus, encontramos pessoas que fizeram obras impressionantes: profetizaram, expulsaram demônios e operaram maravilhas — tudo em nome de Jesus. Contudo, o veredito do Senhor é contundente: “Nunca vos conheci”. Isso nos ensina que é possível realizar coisas notáveis e aparentemente piedosas, mas, ainda assim, estar espiritualmente separado de Cristo.
A questão central não são as obras em si, mas as motivações e a base da confiança do coração. Quando alguém deposita sua esperança de salvação em suas próprias obras, em vez de vê-las como resultado de uma vida regenerada, está enganando a si mesmo. Esse é o orgulho disfarçado de religiosidade. É possível viver uma fé de aparência, sem nunca ter experimentado um relacionamento verdadeiro com o Salvador.
A salvação não é conquistada por feitos humanos, mas recebida exclusivamente pela fé no sacrifício de Cristo. As boas obras são consequência da regeneração, não condição para obtê-la. Como Paulo declara: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2:10).
O verdadeiro cristão anda em humildade, reconhecendo que tudo o que é e tudo o que faz provém da graça de Deus. Ele não exibe suas obras como troféus espirituais, mas as apresenta como expressão de gratidão, fruto de uma nova vida em Cristo.
Pr. Cleber Moreira












