
E recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que teve quando ainda incircunciso; para vir a ser o pai de todos os que creem, embora não circuncidados, a fim de que lhes fosse imputada a justiça. (Romanos 4.11).
Quando pensamos em sinais de pertencimento, logo nos lembramos de documentos como RG ou passaporte. Eles não nos tornam cidadãos, mas apenas confirmam uma identidade já existente. De forma semelhante, a circuncisão no Antigo Testamento era um sinal: apontava para a justiça recebida pela fé, mas não era a causa dela. Abraão foi justificado antes de ser circuncidado (Gn 15.6 vem antes de Gn 17). A fé foi o meio pelo qual recebeu a justiça de Deus, e a circuncisão serviu como selo, não como raiz.
Paulo enfatiza isso em Romanos 4: a promessa não veio pela lei ou por ritos, mas pela fé. A bênção da justificação não é exclusiva dos judeus, mas também dos gentios, porque Abraão é pai de toda descendência dos que creem. Assim, derruba-se qualquer confiança em privilégios étnicos, tradições ou rituais.
Hoje, corremos o mesmo risco de confundir sombra com realidade. Muitos ainda depositam esperança em batismos, ceias ou tradições religiosas. Porém, nenhum rito pode salvar. Muitos são importantes e ordenanças divinas, mas nunca salvaram. A verdadeira circuncisão não é feita por mãos humanas, mas pelo próprio Cristo.
Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos (Colossenses 2.11-12).
Aqui está a realidade: a nossa verdadeira circuncisão é o despojamento do velho homem quando fomos unidos a Cristo em sua obra perfeita. Batizados n’Ele, inseridos em Seu corpo. Crucificados, sepultados e ressuscitados em novidade de vida.
A circuncisão em Cristo é espiritual, interna e definitiva. Não se trata de cortar a carne, mas de crucificar o escravo do pecado. É o selo de que já não vivemos para nós mesmos, mas para aquele que nos comprou com Seu sangue. A cruz é o lugar onde a dívida foi cancelada, onde o poder do pecado foi desfeito e na Ressurreição recebemos nova identidade.
Assim, a promessa feita a Abraão se cumpre em nós: não herdamos pela lei, mas pela fé. Somos filhos de Deus não por tradição, mas por regeneração. A verdadeira marca da promessa não está em ritos externos, mas na obra interna de Cristo.
A grande pergunta para nós é: onde está nossa esperança? Nos esforços religiosos ou na obra consumada da cruz? A verdadeira circuncisão nos lembra que não há nada em nós que possa garantir salvação. Só Cristo, pela graça, nos fez participantes da promessa.
Em Cristo, estamos circuncidados. Essa é a marca da promessa. Não sombra, mas realidade. Não rito, mas vida.
Pr. Pedro Medeiros













