
Todo cristã o costuma dizer o quanto Deus é soberano, consolar irmãos em momentos de tristeza e luto afirmando que a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável, todavia, no quesito dinheiro isso parece não ser lembrado.
Dentro da Igreja (refiro-me não a denominação, ou comunidade que sou membro, mas a Igreja global), há dois tipos de teologia, algumas vezes silenciosas, outras nem tanto, sondando sermões, ensinos, conversas, criando dogmas, que por serem sutis, passam desapercebidas. Podemos ser facilmente doutrinados sem isso ter base bíblica, principalmente quando o assunto é riqueza financeira.
Em Salmos, capítulo 24, há uma declaração do Salmista ao afirmar que ao Senhor pertence todas as coisas, e todo ser vivente é dEle. Eu e você pertencemos ao Senhor. Nosso bolso entra neste pertencimento também.
E saber disso elimina a inocência em não viver o ensino cristão. Este Salmo, assim como toda a Sagrada Escritura, é registrado ali de forma intencional. No capítulo 22, Davi questiona por qual motivo Deus o tinha desamparado. Logo depois percebe o que comunica no capítulo 23, que o Senhor é seu pastor, nada lhe faltará, e a partir daí ele não ver outra saída a não ser escrever o que no dia a dia, assim como o homem segundo o coração de Deus, podemos esquecer que todas as coisas criadas e toda criatura são do Senhor (capítulo 24). Proclamar a soberania de Deus é mais fácil do que exercê-la.
Neste momento, você deve estar se questionando, querido irmão (a), quais são estas teologias. E te respondo: a teologia da pobreza e a teologia da prosperidade. O movimento da última citada, costuma ser mais facilmente identificado por ficar claro em algumas Igrejas específicas. Contudo, antes de citá-la, comentarei sobre a primeira, por ser tão sutil, nem parece ser um ensino errado, no entanto tem levado cristãos a descumprirem princípios bíblicos.
A teologia da pobreza traz consigo um discurso onde “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”, e isso não é mentira. Há base bíblica encontrada em I Timóteo 6.10. Entretanto, o dinheiro colocado como ídolo, se torna um mal. Tudo aquilo que colocamos no lugar de Deus na nossa vida se torna um ídolo. Sua família pode ser um ídolo, um cargo na Igreja, o dinheiro, carro, seu trabalho. Ter dinheiro, não é errado. Observando-o como de fato ele é: uma ferramenta para ser usada, um servo e não senhor do ser humano Um cristão que entende o propósito para o qual foi criado, encontrado em I Coríntios 10:31, compreenderá o mesmo fim do dinheiro: glorificar a Deus.
Apesar disso, o discurso de pobreza é bom. Vale destacar a etimologia dessa palavra que vem do latim “pauper”, que significa “produzir pouco” (isso não tem a ver apenas com dinheiro). O ensino errôneo te deixa na zona de conforto e quando o esforço parece requerer muito, há uma parte de um versículo na ponta da língua: “a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável”. Completamente retirada do contexto, onde Paulo lembra-nos nesta passagem em Romanos 12.2: “não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Conformismo e contentamento são coisas distintas. Porém, fáceis de serem confundidas quando ensinadas por pessoas que são autoridades no meio cristão.
No outro extremo, há a tão famosa conhecida teologia da prosperidade, que direta e indiretamente fortalece ainda mais o discurso da pobreza. É aquele “conselho”: “o dinheiro é mal, olha como eles só falam disso”. E a Bíblia diz em II Tessalonicenses 3:10: “Porque, quando ainda estávamos com vocês, ordenamos isto: “Se alguém não quer trabalhar, também não com a”. O trabalho pode se tornar um ídolo quando colocado no lugar de Deus, porém, ele foi criado por Deus. Preguiça não combina com cristianismo. O preguiçoso está em pecado assim como o ganancioso.
A teologia da prosperidade coloca a espiritualidade humana como mérito para sua conta bancária está cheia ou vazia. Se você está com problemas financeiros, está em pecado, se está bem financeiramente é porque o Senhor está se agradando de você. Começam a alimentar um Evangelho de barganha onde “se você der X, o Senhor te recompensará com 10X”. Irmãos, isso é insensatez! Se Deus fizer, amém, se Ele não fizer, amém também. Se nossa atitude como cristãos, comprometidos com a Palavra muda, caso o resultado não seja o esperado, o cristianismo é a última religião que deveríamos fazer parte, como disse C.S. Lewis: “Não busquei a religião para me fazer feliz. Eu sempre soube que uma garrafa de vinho do porto faria isso. Se você quer uma religião para se sentir realmente confortável, certamente eu não recomendaria o cristianismo”.
Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais nossa razão começa a explicar a nossa fé. Evangelho não é emocionalismo barato, não é prática persuasiva para que de alguma forma você doe. Evangelho é o Cristo crucificado no madeiro, ressuscitado ao terceiro dia, morto por pecadores que mereciam a morte, devolvendo-lhes a vida, justificados pelo Seu sacrifício, cumprindo a missão ordenada pelo Seu Pai. Somos caídos, a graça que nos alcançou, todavia até o grande dia, a carne milita contra o Espírito. Não se engane, estamos passíveis a cairmos em discursos como estes, principalmente em um país onde se falar de dinheiro é ofensivo para muitos, e pior, dentro da igreja.
Agora você pode questionar “Regiane, já entendi ambas as teologias, contudo o que seria então o correto”?
Chegamos na parte bíblica, meus irmãos. A parte onde o Senhor se agrada, porque somos dEle, e tudo que temos, inclusive nosso dinheiro, pertence a Ele. Deus nos ensina a Teologia do mordomo fiel. É assim que Ele deseja nos encontrar cuidando com fidelidade do que foi confiado a nós. Aqui estamos nos referindo a área financeira, todavia considere para qualquer área: emocional, gerenciamento de tempo, família etc. Posicionados de forma correta, compreendemos que o Senhor Se importa com os investi mentos que desejamos realizar, com os gastos que amamos fazer, com os sonhos que almejamos alcançar. Neste lugar, aprendemos a viver o que está em João 15, além de servos somos amigos, e como amigos, abrimos o nosso coração sem reservas e perguntamos ao Senhor como devemos agir nos mínimos detalhes. Aproxima dos de Cristo, independente de qual seja a circunstância, temos a certeza da soberania de Deus, registrada em toda Bíblia, de Gênesis a Apocalipse. O Senhor não precisa nos provar nada. Se assim fosse, por qual motivo Jó passaria o que passou? José sofre ria tanto? Paulo seria decapitado? O Evangelho verdadeiro nos admoesta a abraçarmos a nossa responsabilidade de despenseiros fiéis, do anseio em agradar o Senhor, de reconhecer que um coração ensinável, generoso, fiel não nasce por meio de práticas interessadas no que Deus pode fazer, mas sim, porque Ele cria em nós à medida que amadurecemos Nele. Isso é mérito de quem nos escolheu, não dos escolhidos.
Meu desejo é que possam os amar ao Senhor sobre todas as coisas (Mateus 6.33), não buscando-0 pelo que sabemos que Ele pode fazer, todavia unicamente por quem Ele é. Que privilégio fazer parte da história do Senhor, e almejo que você desperte para este privilégio também. A soberania de Deus independe do nosso bolso. Que a paz que excede todo entendimento te alcance em todo tempo!
Por Regiane Barbosa – Igreja Batista da Pituba, em Salvador – BA













