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A igreja como nova humanidade

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O Novo Testamento traz inúmeras figuras metafóricas ilustrativas para demonstrar e explicar as diversas facetas da igreja. Assim temos a igreja como corpo de Cristo (1Co 12; Rm 12); edifício (1Co 3.9); lavoura (1Co 3.6-9); família de Deus (Gl 6.10); comunidade (At 2.44-47); exército de Deus (1Tm 2.3,4); embaixada do reino de Deus (1Co 5.20) etc.

Mas há uma figura que, embora não esteja explicita no Novo Testamento, é de elevada importância para os dias de hoje – a igreja como nova humanidade.

Vamos lembrar que o Evangelho vai além de atender nossa condição individual de pecado, pois Deus se lança na história para restaurar e redimir toda criação que, no fundo, foi afetada pela rebelião no Éden.

O mundo conhecerá a Deus por meio de nós – a igreja – e, assim, em certo sentido, como nova humanidade a igreja não é meramente um ajuntamento de salvos individuais que se reúne apenas para atividades, programas, eventos que existe para atender a vida religiosa na esfera privada e particular em um dia da semana.

É uma “nova humanidade que se formou para se tornar o que a humanidade adâmica falhou em ser […] a igreja não pode ser reduzida à sua expressão institucional. Essa ênfase na igreja como a nova humanidade é feita também por sua relação com o reino: a igreja é um sinal, antecipação e instrumento do reino do fim dos tempos” [Newbigin].

Como nova humanidade, a igreja é igreja tanto quando está reunida para a adoração e o serviço mútuo, como quando seus membros estão espalhados nos demais dias da semana na vida pública, no exercício profissional, nos relacionamentos familiares e sociedade, na vida estudantil, no exercício da cidadania. [Veja “The Evanston Report”].

A igreja como nova humanidade se concretiza tanto quando estamos reunidos, quando como dispersos na vida pública, ou no envio de missionários, evangelistas para o anúncio das Boas Novas ainda onde não foram alcançadas. Assim a igreja tem o desafio de cumprir a MISSÃO DA PROCLAMAÇÃO, mas também a MISSÃO DA PRESENÇA no mundo por meio de sua influência como sal e luz.

Isso nos leva a mais um passo em buscar caminhos para que as pessoas que forem salvas possam ser formadas e transformadas como nova humanidade para que expressem em atos concretos as características dessa nova humanidade. E daí precisarmos recuperar o discipulado, a educação na igreja, o companheirismo e comunhão entre os irmãos, o aconselhamento, de modo que nossa vida seja equilibrada e atraente no nosso viver diário. Pois cada cristão precisa ser preparado e capacitado para ser devolvido ao mundo no cotidiano da vida pública para demonstrar essa nova vida como pertencente à nova humanidade.

Assim, a partir de minha conversão, a minha agenda, o meu projeto de vida ficam à disposição do projeto da missĭo Dei (missão de Deus em recuperar toda criação e criatura) e eu me entrego como ferramenta dele para que ele, em sua missão de restaurar toda criação, inclusive o indivíduo, me tenha como seu instrumento em anunciar verbalmente + viver concreta e responsivamente + ser realmente a nova humanidade.

Igreja como nova humanidade é uma figura que nos desafia a um novo modo de viver, pois “quanto à maneira antiga de viver, vocês foram instruídos a deixar de lado a velha natureza, que se corrompe segundo desejos enganosos, a se deixar renovar no espírito do entendimento de vocês, e a se revestir da nova natureza, criada segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.21-24).

Por Lourenço Stelio Rega – Extraído da Revista Comunhão

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