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Pastor sim, Presidente talvez

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Imagem IA.

Quando, há cerca de quinze anos, comecei a falar sobre as desvantagens de se impor ao pastor a função automática de presidente da igreja local, a resistência era grande. Hoje, graças a Deus, essa resistência é bem menor. O tempo, as crises e a própria realidade das igrejas têm mostrado razões lógicas que já não podem mais ser ignoradas.

Quando um homem é chamado por Deus para o ministério da Palavra, via de regra ele busca uma instituição preparatória. Passa anos em um seminário ou em uma faculdade de teologia. A grade curricular é intensa. Ali ele é forjado, provado, e alguns casos até desistem ou não são aprovados em concílios. É um processo sério, porque o objetivo é claro: formar um ministro do Evangelho de Cristo.

A pergunta que faço é simples: para que foi toda essa preparação? Para pregar, ensinar, aconselhar, visitar, orar e pastorear o rebanho. Atos 6:4 nos lembra que os apóstolos decidiram se dedicar “à oração e ao ministério da Palavra”.

O problema começa quando, além de tudo isso, se impõe ao pastor a obrigação de exercer também todas as funções administrativas e jurídicas da igreja. E a verdade é que nem todo pastor tem aptidão para isso.

Não é raro encontrarmos pastores excelentes no púlpito, cheios de unção no pastoreio, mas com grande dificuldade na área administrativa. O contrário também acontece. Existem pastores com grande habilidade para gestão. Quando isso acontece, é um ganho para a igreja. Mas são poucos.

Tenho conhecimento de pastores que abandonaram o ministério por se sentirem fracassados na administração. Conheço casos de homens de Deus em crise, com depressão e noites mal dormidas, simplesmente porque estavam carregando um peso para o qual não foram chamados nem preparados.

Moisés quase morreu debaixo do peso de julgar o povo sozinho, até que Jetro, seu sogro, disse: “escolhe homens capazes”. Jesus também delegou. Formou doze, depois setenta. O corpo de Cristo funciona com dons diferentes. Exigir que todo pastor seja também um excelente gestor é como exigir que todo médico seja também o administrador do hospital. Pode até acontecer, mas não deveria ser regra.

Trago comigo uma experiência que embasa a minha defesa:
Certo dia o carteiro tocou a campanhia da igreja e o pastor veio recebê-lo. Era uma simples intimação da Receita Federal, mas suficiente para desestabilizar aquele veterano obreiro. A intimação dava prazo para atendimento àquela fiscalização. Como profissional responsável pela assistência contábil àquela igreja, coloquei-me à disposição, mas o pastor fez questão de me acompanhar no dia combinado. No caminho tivemos que sair da rota para prestar socorro médico ao pastor que foi acometido de fortes dores no peito. Por muito pouco teria sofrido quem sabe um infarto.

Depois disso, entendendo que poderia minimizar esse tipo de situação, elaborei uma sugestão de redação alternativa para os estatutos batistas.

Em vez de escrevermos: “Art. xxxx: O pastor, que sempre será o presidente da Igreja…”, sugiro: “O pastor, que poderá ser o presidente da Igreja…”.

Essa pequena mudança faz uma grande diferença. Ela não proíbe que o pastor presida. Ela apenas dá flexibilidade. Se Deus deu ao pastor os dois dons, que bom. Se não deu, a igreja pode escolher um irmão com dom de administração para essa função, sem ferir a autoridade espiritual do pastor.

No fim, a igreja não precisa de pastores administradores. A igreja precisa de pastores pastores. E precisa de bons administradores. Quando cada um exerce o seu dom, o corpo de Cristo funciona como deve funcionar.

Pelo sim, pelo não, esta é a minha opinião.

Diácono Jonatas Nascimento, da PIB em Maricá-RJ
Cooperador do Ministério Diaconal local, Estadual e Nacional.

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