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Os executivos da religião

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Imagem Ilustrativa.

Temos observado o crescimento assustador dos chamados evangélicos no Brasil. Estima-se que 30% da população do Brasil se identifique como evangélica. Precisamos definir muito bem o que é ser evangélico. Neste nome entra tudo o que podemos imaginar. É uma diversidade de confissões e de nomes dos mais esquisitos. É uma Babel religiosa. Nela, muitos homens e mulheres se arvoram como líderes de incautos, de pessoas buscando tábuas da salvação. E é aí que entram os executivos da religião. São homens e mulheres que têm construído os seus pequenos reinos religiosos sobre a sinceridade de pessoas simples em sua maioria. Esses executivos da religião são dissimulados, ditadores e arrogantes. Só permanecem em seus reinos aqueles que seguem religiosamente a sua cartilha. É impressionante o luxo que eles vivem em duro contraste com a pobreza do povo. Há mordomias para os executivos da religião.

Os executivos da religião são talentosos. Sabem comunicar muito bem. São artistas. Conseguem arrecadar grandes somas de dinheiro se aproveitando da ingenuidade do povo. Torcem a Bíblia para fundamentarem seus ensinos e suas abordagens meramente materialistas e pragmáticas. São teólogos da prosperidade financeira. Ensinam o povo a barganhar com Deus. Pregam um evangelho que não é bíblico. Usam mecanismos suspeitos para usurpar as pessoas que entram e saem dos seus templos. Eles se aproveitam das carências do povo. Utilizam a linguagem dos sonhos. Visitei uma dessas igrejas com o objetivo de fazer um trabalho para o meu curso de Mestrado e constatei que o ‘pastor’ era muito talentoso na comunicação. Ele conseguiu tirar dinheiro do povo seis vezes durante o culto de uma hora e meia.  Ele utilizou a linguagem do triunfalismo e trabalhou com técnicas de persuasão. Há igrejas que pregam: “É só vitória”. Essa turma não está comprometida com o evangelho da graça, com o evangelho da cruz, com a santificação.

Esses elementos não estão preocupados com ética e nem com a prestação de contas. É triste ouvir as pessoas dizerem dessas igrejas: “Pequenas ou grandes Igrejas, grandes negócios”. Os executivos da religião, em muitos casos, não têm preparo teológico formal, pois fazem cursos curtos e rasos. Eles têm uma teologia larga e rasa. O mais importante é comunicar bem, prometer ‘bênçãos’ em troca de vantagens financeiras e acúmulo de bens. Eles não têm escrúpulos. É o que Judas declara em sua epístola: “Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá. Estes homens são como rochas submersas, em vossas festas de fraternidade, baqueteando-se juntos sem qualquer recato, pastores que a si mesmos se apascentam; nuvens sem água impelidas pelos ventos; árvores em plena estação dos frutos, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas… Os tais são murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; são aduladores dos outros, por motivos interesseiros” (Judas 11,12; 16).

Os executivos da religião estão mais preocupados com o seu status do que qualquer outra coisa. Eles estão comprometidos com uma vida que lhes dê estabilidade financeira e muito conforto, além de ovação do povo. Usam o seu capital político para trazer benefícios ao seu reino religioso. Inclusive em denominações históricas. Estão mais preocupados em apresentar um sistema religioso em vez do evangelho de Cristo “que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1.16). Têm mais interesse num ajuntamento lucrativo do que numa comunidade amorosa, serviçal e comprometida com o estilo de vida de Jesus de Nazaré. Na verdade, eles prestam um serviço religioso que é remunerado, pois acham que é justo porque trabalham. São pessoas jeitosas, espertas, gostam de levar vantagem e vivem uma vida nababesca. Que Deus nos livre desse estilo de vida e nos conceda a graça de serví-lO com alegria e singeleza de coração, vivendo e pregando o genuíno evangelho de Cristo, o Senhor, até que Ele volte. Maranata, Senhor Jesus!

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob
Colunista deste Portal 

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